Enquete com leitores revela que 90% são contra recesso
Patrícia Zanin e Pedro Livoratti
Noventa por cento dos internautas que acessaram o site da Folha durante uma semana são contrários ao recesso parlamentar de julho. Apenas 10% concordam com o descanso de um mês de deputados, senadores e vereadores brasileiros. A consulta, encerrada na sexta-feira, foi feita entre os dias 19 e 25 e reúne a opinião de 377 internautas (veja extrato da consulta). O número de pessoas que acessaram o site da Folha é representativo se comparado a pesquisas de opinião pública que consideram como universo cerca de 600 entrevistados numa cidade como Londrina, por exemplo, com 500 mil habitantes.
O recesso parlamentar é previsto na Constituição Federal e no regimento interno da Câmara e do Senado. Também é autorizado nas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Vigora de 1º de julho a 1º de agosto e também de 15 de dezembro a 15 de fevereiro. São três meses de folga durante o ano.
A pesquisa demonstra o descontentamento da opinião pública em relação ao recesso e reúne opiniões que vão desde críticas mais contundentes sobre a atuação dos parlamentares até ironias como a manifestada por Tércio Tokano, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Onde já se viu, uma categoria tão perseguida, com salários baixíssimos - num País cuja média salarial é muito boa - tendo que pegar seu avião toda semana de terça à tarde a quinta de manhã. Realmente, não sei como pode ter gente atacando esse recesso tão merecido de nossos nobres parlamentares...
Poucos internautas concordam que os parlamentares precisam de férias, mas mostram preocupação com o atual momento vivido hoje pelo País, como é o caso de Eduardo Mendonça, de Curitiba. Não posso acreditar que se conceda este tipo de recesso. Precisamos de férias, mas no seu tempo certo. O Brasil precisa de trabalho, muito trabalho. Isto é uma vergonha.
Preocupado com o desgaste político e com o objetivo de adequar o recesso parlamentar à realidade brasileira, o deputado federal Roque Zimermann (PT-PR), propõe limitar a suspensão temporária das atividades do Legislativo em 45 dias por ano - mesmo assim, 15 dias a mais que o trabalhador comum.
Uma comissão especial que discutiria o assunto chegou a ser criada no ano passado, mas, segundo Roque, não foi instalada porque a bancada governista se recusou a participar. Todos os cidadãos brasileiros têm direito a 30 dias de férias e com os parlamentares não deveria ser diferente. Teríamos então as férias de 30 dias no final do ano e, em julho, um recesso branco de uma ou duas semanas, explicou.
O parlamentar também inclui na proposta a extinção de sessões extraordinárias. Não só para economizar, mas por uma questão de princípio, defendeu. Segundo ele, sessões extraordinárias só poderiam ser convocadas em casos urgentíssimos como em estado de guerra ou de sítio, além de morte do presidente da República.
Roque é favorável ao estabelecimento de férias para os parlamentares por entender que é o político também precisa de descanso, como qualquer cidadão. É preciso relaxar um pouco, viajar e também voltar às bases, argumentou. Mas padre Roque acha que neste momento, o Congresso deveria se autoconvocar e não ter recesso em julho. É a proposta do PT, que não resultaria em ônus para o governo. Trabalharíamos sem receber para podermos votar, controlar e fiscalizar mais o governo, propõe.





