Curitiba - O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) estuda novas medidas contra o pedágio. A entidade tinha entrado com uma ação na Justiça pedindo a suspensão do leilão de concessão de sete novos trechos de rodovias federais que ocorreu na última terça-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Agora, está sendo estudada uma nova ação para pedir a extinção da Cide (imposto cobrado sobre os combustíveis) ou a devolução dos valores arrecadados com o tributo.
O sindicato também entrou em contato com o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR) e pretende marcar uma reunião ainda este mês para pedir uma espécie de revisão dos valores do pedágio cobrados no Paraná. Ele acredita que novas ações devam pipocar na Justiça para tentar anular o leilão realizado na bolsa. ''Acreditamos que a Justiça possa reverter o leilão'', disse o presidente do Senge-PR, Ulisses Kaniak.
Ele destacou que, mesmo a Copel perdendo a disputa pelo lote 7 (Curitiba-Florianópolis), foi importante a participação da estatal porque isso fez as outras concorrentes baixarem preços pensando que iam concorrer com uma empresa pública. Kaniak salientou que hoje, os preços apresentados pela espanhola OHL são baixos mas vão sofrer a correção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele alertou que, faz parte do contrato destas empresas uma cláusula que trata de reequilíbrio econômico-financeiro, o que pode gerar um aumento escalonado.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, também lembrou que as tarifas dos novos pedágios serão mais caras do que os preços anunciados porque terão a correção da inflação. A início da cobrança deve ser feito daqui nove meses. A previsão é que a inflação até julho, seja de 3,35%, percentual que será repassado para o bolso do consumidor. Ele lembrou que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff demonstrou rigor em relação ao assunto e prometeu não permitir que os valores do pedágio subam abusivamente.
Kaniak diz que o Senge-PR é contra o pedágio mas ressaltou que o leilão do dia 9 foi de importância fundamental para estabelecer comparações com os preços praticados pelas seis concessionárias de pedágio que atuam no Paraná.
Paraná
Como a FOLHA antecipou na edição de ontem, o Dieese divulgou um levantamento que mostra que o preço médio das tarifas de pedágio subiu 136,27% entre junho de 1998 até agora ou 30% acima da inflação. De acordo com o Dieese, a tarifa média de pedágio passou de R$ 3,22 para R$ 7,60 neste período. A tarifa da Ecovia (concessionária que administra o trecho Curitiba-Paranaguá) foi de R$ 3,80 para R$ 10,90, o que significa um aumento de 186,84% ou 58% acima da inflação.

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