Terminou ontem, sem resposta, o prazo para que o empresário Maurício Costa se manifestasse por escrito ao Legislativo municipal ante a notificação na qual pudesse explicar se, e de que forma, teria sido achacado pelo vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) em junho passado. Em depoimento ao Ministério Público (MP), no final de agosto, e em conversa informal com o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), Costa relatara que Gouvêa teria feito algum tipo de cobrança a fim de que o projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo, fosse aprovado em primeiro turno. A construtora da qual o engenheiro é sócio executa as obras das 32 moradias do programa, que recebe verbas do Ministério das Cidades. O ofício para que o empresário se manifestasse por escrito partiu da Câmara no último dia 9. Gouvêa nega qualquer pedido de vantagem a Costa.
Conforme o documento da Corregedoria, eventual silêncio do empresário poderia ser interpretado como negativa diante dos fatos, além de eventual incidência de responsabilidade criminal sobre as declarações. Para o corregedor recém-empossado, Rony Alves (PTB), o silêncio de Costa ainda não encerra a discussão: ele cita uma interpelação feita pela Casa na Justiça, semana passada, para que o engenheiro se manifeste em juízo sobre o que, até agora, ao menos no Legislativo, ''está mais na esfera da boataria''.
Que avaliação faz do ''desaparecimento'' do empresário? ''Desnecessário: se ele tem provas e pode sustentar o que diz, não tem por que desaparecer, por mais funestas que sejam as provas. Fica a sensação de que as pessoas não têm coragem de falar, ou têm medo ou incapacidade de provar o que falam'', criticou o petebista, para quem ''a atitude Costa foi de um mau gosto muito grande''. ''Por que levantar toda essa fumaça que levantou, fez a Corregedoria abrir portas para se mostrar uma pessoa de conduta ilibada, mas se retraiu, se esvaiu.'' Por outro lado, o corregedor analisa: se quando da aprovação da matéria em regime de urgência as partes interessadas eram fáceis de localização, agora, é hora de o plenário rever atitudes. ''A Casa não pode mais ficar recebendo projeto de afogadilho e votar porque tem repercussão na comunidade externa.''
Além do procedimento da Corregedoria, Gouvêa também é alvo de uma representação encaminhada semana passada por um membro do PRP - a medida será despachada hoje à Procuradoria Jurídica da Câmara. A FOLHA tentou novamente ontem falar com o engenheiro, mas ele não foi localizado.

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