''Enfrento a Inquisição, mas sou da resistência'', defende-se
O deputado federal José Janene (PPB) disse ontem que recebeu com tranquilidade a decisão do juiz da 5ª Vara Cível, Alberto Junior Veloso, que decretou a quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico, além da indisponibilidade de seus bens. Eu só estava esperando ele (juiz) conceder. O juiz de primeira instância sempre concede, até por via de regra, afirmou o deputado, aparentemente mais relaxado que na semana passada, quando fez duras críticas aos promotores de Justiça que ingressaram com a medida cautelar contra ele e mais 29 pessoas e empresas.
Janene, que também é presidente estadual do PPB, anunciou que já está preparando sua defesa no Tribunal de Justiça, onde espera provar sua inocência. Agora vamos cuidar disso no Tribunal para sair da mídia e entrarmos no poder Judiciário, argumentou. O deputado voltou a mencionar uma suposta perseguição contra ele feita pelos promotores que atuam no chamado escândalo AMA/Comurb. Estou enfrentando a Inquisição, mas sou da resistência, de uma raça com sofrimento milenar (referindo-se a sua origem árabe). Não tenho nada a esconder. Ainda há Justiça, afirmou.
O deputado disse ainda que em duas ações anteriores contra ele, os promotores foram mal sucedidos. Janene se referiu a uma ação onde foi acusado de envolvimento com licitações fraudulentas na Comurb, que teriam provocado um desvio de mais de R$ 3,3 milhões. Na outra, é acusado envolvimento com o pagamento de lixeiras que nunca foram entregues à Prefeitura de Londrina. Dentro da legalidade, qualquer informação que a Justiça precisar, serei o primeiro a dar a mão, garantiu.
Como na semana passada, o MP evitou polemizar sobre as declarações de Janene à imprensa. Não vamos rebater acusações porque estamos preocupados com as nossas atividades, que é a reparação do patrimônio público, resumiu o promotor Cláudio Esteves. É lamentável porque Londrina foi instigada por esse escândalo todo e também se vê envolvida em impropérios, concluiu. Já o promotor Bruno Galatti comentou que o interesse do MP é saber o alcance e o número de envolvidos nas irregularidades na administração municipal. A promotora Solange Vicentin também investiga o rombo na prefeitura. (L.R.)





