'Enfrentamos tentativas de blindagens´
Curitiba - Questionado se existe algum receio de que ocorra uma tentativa de blindagem da duas maiores empreiteiras do País, e que possuem estreitas ligações com políticos do alto escalão tanto do PT quanto do PSDB, e outras legendas, o procurador do MPF, Carlos Fernando dos Santos, disse não estar preocupado.
"Na verdade nós temos enfrentando este problema desde o início. As tentativas de blindagens acabam ocorrendo. Mas no ponto de vista do MPF, PF e Receita, devemos punir todos os responsáveis. A punição deve alcançar todos conforme a lei. Não existe salve os empreiteiros ou as empresas. Os empreiteiros devem ser punidos conforme a lei criminal, e as empresas conforme a lei anticorrupção ou civilmente, e terão que ressarcir este dano e sofrer todas as sanções que a lei exige", reforçou o procurador.
Durante a coletiva de ontem, ele ainda destacou que as investigações da 14ª fase foram necessárias para que ficassem comprovadas as transações de valores para contas no exterior. E que em relação aos crimes de fraude a licitação e formação de cartel já se tinha uma certeza do envolvimento das duas empresas. "Não temos dúvida alguma de que a Odebrecht e a Andrade Gutierrez capitaneavam o esquema dentro da Petrobras", afirmou.
As investigações também encontraram indícios de que fraude à licitação, formação de cartel e corrupção em obras de fora da Petrobras, como na usina nuclear de Angra 3. Entretanto, segundo o delegado Igor Romário de Paula, as prisões se basearam apenas nos fatos referentes aos contratos envolvendo a Petrobras. "Em relação a Angra 3, necessariamente, vai ter que ser aberto um inquérito em separado para iniciar a investigação, da mesma forma que indícios que apareceram em outros setores serão objeto de investigação. Se fala muito no setor elétrico, mas isso vai ter que ser objeto de apuração, estas empresas têm contratação em praticamente todas as áreas do Poder Público", afirmou. (R.C.J.)





