A greve dos servidores públicos federais no Paraná sofreu ontem duas baixas antecipadas: os funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Estado, que já eram contados como certos no movimento, decidiram continuar trabalhando. A greve nacional, por reajuste salarial, completa uma semana hoje.
Ontem, aderiram à paralisação os 124 técnicos-administrativos da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) em Curitiba. Sem o trabalho deles, estão suspensos os serviços de emissão de carteiras de trabalho, registro profissional e seguro-desemprego. A delegacia atende cerca de 800 pessoas por dia.

UFPR Cerca de 50 estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) aproveitaram a greve dos professores e funcionários da instituição para discutir a qualidade do ensino e os programas de extensão à comunidade. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), 80% do pessoal da universidade estão parados.
Integrantes de seis cursos Ciências Biológicas, Química, Geologia, Geografia, Engenharia Florestal e Engenharia Civil , os estudantes estão acampados em barracas no pátio do Centro Politécnico da universidade. Todo o final de tarde, eles promovem debates com professores convidados.
''Somos favoráveis à greve dos professores, que é legítima, mas decidimos aproveitar esse tempo para discutir o papel da universidade, que não é só um trampolim para nossas futuras carreiras'', afirmou Renato Garcia Rodrigues, 23 anos, aluno do terceiro ano de Ciências Biológicas, que vive sua segunda greve na UFPR a primeira foi em 1998. Segundo ele, os professores enfrentam muita burocracia quando apresentam propostas de extensão.
O professor de genética Arnoldo Meister Pimentel, palestrante de ontem, disse apoiar a ''discussão filosófica'' em torno da universidade. ''Qualquer atitude de reflexão merece apoio. A universidade se sustenta no tripé ensino, pesquisa e extensão.''

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