Enéas é o mais votado para Câmara
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de outubro de 2002
Fausto Macedo <BR>Agência Estado 
São Paulo Em uma saleta acanhada do edifício Gisela, dois andares acima da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, na região central da capital, o PRONA faz a sua festa. É uma comemoração diferente daquela que os outros partidos fazem nessas ocasiões não há gritos, tapinhas nas costas, multidão à porta e nem composição ao pé-do-ouvido com políticos da velha guarda. Serve-se café e água.
No recinto, estão alguns diretores do partido e os dois sucessos políticos do momento: Enéas Ferreira Carneiro e Havanir Tavares de Almeida Nimts, que somam 2,2 milhões de votos. Ele com 1,558 milhão de votos para deputado federal. Ela com 676,99 mil para estadual.
Enéas e Havanir arrasaram: são os mais votados da história da Câmara e da Assembléia paulista. Deixaram para trás nomes consagrados da política nacional.
O fenômeno Enéas provocou uma situação sem precedentes. Por conta de uma estranha matemática eleitoral que disciplina o voto proporcional, a fantástica votação do presidente do PRONA puxou com ele mais 4 candidatos do partido, ilustres desconhecidos que ficaram longe da modestíssima casa dos mil votos (ou, porcentual correspondente a 0,00%). São outros 4 médicos e um advogado: Irapuan Teixeira (665 votos, com 99,15% apurados até 17h37 de ontem), Ildeu Araújo (378 votos), Elimar Máximo Damasceno (478 votos) e Vanderlei Assis de Souza (274).
Também vai fazer parte do séquito do doutor Enéas em Brasília o médico Amauri Robledo Gasques, que teve um melhor desempenho nas urnas e ficou com 18.276 votos ainda assim uma cota bastante inferior à que outros fizeram por merecer e, nem por isso, garantiram lugar na Câmara.
No pequeno escritório da Brigadeiro conjunto 21, sede do diretório regional do Partido de Reedificação da Ordem Nacional , decorado com um aparelho de telefone com 7 linhas, duas mesas e três quadros com fotos suas na parede, Enéas leva o lenço branco à cabeça que transpira muito. E ajeita os óculos de aros grandes demais para o rosto escondido atrás da barba espessa.
Não parece surpreso com seu 1,5 milhão de votos. ''É simplesmente o reconhecimento da população pelo caráter absolutamente positivo, lúcido, enérgico e sincero com que todos os pronunciamentos são feitos, desde que me lancei na vida política em 1989'', discursou aos repórteres, em seu habitual tom carregado, enquanto na TV à sua frente, instalada sobre uma maca hospitalar, passava o vídeo da campanha, 33 segundos no ar ao som da quinta sinfonia de Beethoven.
Sobre a incrível vitória dos outros pronistas, que não saíram do zero porcentual, doutor Enéas pode dizer: ''Os colegas foram escolhidos há um ano porque são membros fundadores ou são da comissão executiva nacional; foi tudo planejado para que pudéssemos ter uma bancada forte, séria, poderosa no Congresso''. Não admite que a ascensão do bloco que teve menos de mil votos receba a pecha de injusta.


