Encontro turva autoridade de Cardoso, diz ACM
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou ontem que a ida de Renan Calheiros, Eliseu Padilha e Ovídio De Ângelis a Minas Gerais para conversar com Itamar Franco tolda (turva, obscurece) a autoridade do presidente Fernando Henrique. O presidente tem de manter a sua autoridade. Ele se presta ao diálogo, mas não pode nunca perder sua função de presidente da República para, por meio de emissários ou não, ter diálogos que não sejam compatíveis com a função. Cada um pode fazer essas coisas por conta própria, mas é desnecessário toldar a autoridade do presidente da República. A sua credibilidade existe pela sua autoridade, disse ACM.
ACM criticou duas vezes o envio dos ministros a Minas. De manhã, logo depois de chegar ao Senado, e mais tarde, depois do encontro que teve com o próprio presidente. ACM disse que os três ministros não são emissários do governo federal já que são peemedebistas e estão agindo movidos por interesses partidários. Quando quiser tratar desse assunto, o presidente deve ir pessoalmente. Esses ministros são do PMDB e têm interesse em trazer o governador do seu partido para o seio do governo. E isso é legítimo também, afirmou.
Quando perguntaram se Itamar deveria ser isolado politicamente por ter declarado moratória das dívidas do Estado com a União, ACM respondeu: Nesse assunto eu não me meto. Até porque já tenho o meu juízo sobre Itamar Franco. É péssimo. Para ACM, Itamar não pode receber qualquer tratamento especial do governo apenas por governar um Estado grande como Minas.
Ao saberem das críticas de ACM, o ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), saíram em defesa da viagem dos ministros. Se eles estão indo em nome do presidente, evidentemente que ele (FHC) não (perde a autoridade), afirmou Pimenta. Isso não tira a autoridade do presidente. Eles vão como membros do partido conversar com Itamar, mas não têm a oposição do presidente, disse Temer.


