Encontro reforça a tese de candidatura própria do PMDB
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quarta-feira, 19 de abril de 2006
Andreza Matais<br>Folhapress 
Brasília - A candidatura própria do PMDB à Presidência da República ganhou força ontem. No entanto, a decisão final ocorrerá somente no dia 10 de junho, quando será realizada a convenção nacional do partido. Na ocasião, os dois pré-candidatos - o ex-presidente Itamar Franco e o ex-governador Anthony Garotinho - disputarão no voto a indicação para a chapa do PMDB à Presidência. A decisão de descartar a pré-convenção de maio, como queria a ala governista do partido, foi tomada após três horas de reunião.
Dos 24 diretórios que se manifestaram na reunião, 14 se colocaram contra a tese da candidatura própria e 11 foram favoráveis. Apesar do placar aparentemente ser favorável aos governistas, foram os oposicionistas que ganharam a disputa.
É que entre os 11 diretórios que apoiaram a candidatura ao Planalto estão os Estados com o maior número de votos na convenção, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Nas contas dos oposicionistas esses Estados somam 450 votos favoráveis à candidatura própria do total de 726 convencionais. A vitória da candidatura própria é avassaladora, comemorou Anthony Garotinho. O resultado de hoje (ontem) fortalece cada vez mais o desejo do partido de ter uma candidatura própria, emendou Itamar Franco.
Até mesmo os contrários à tese da candidatura reconheceram a vitória dos oposicionistas. Um ex-governador nordestino que não quis se identificar disse que se a convenção fosse hoje, o PMDB teria candidato próprio.
A reunião de ontem foi pontuada por alfinetadas entre as duas alas do PMDB. O senador Pedro Simon (RS), que defende a candidatura de Itamar Franco, atacou o senador Renan Calheiros (AL), um dos porta-vozes do grupo governista. Se o Renan conseguiu montar um partidinho, pegar o Collor e elegê-lo presidente da República, como o PMDB não vai conseguir ter um candidato forte na disputa?, afirmou na reunião reservada. O problema deles é que têm um monte de cargos no governo Lula que não teriam num governo do PMDB, provocou.
Renan - que foi líder da tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor no Congresso - preferiu não polemizar. A reunião de hoje (ontem) só serviu para mostrar que a verticalização é o diabo, disse.
O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) acusou o partido de ser uma casa de loucos. O deputado avisou que vai colher assinaturas para que uma nova reunião da Executiva seja realizada para discutir a tese da candidatura novamente. O presidente da sigla, deputado Michel Temer (SP), voltou a pregar a unidade do PMDB.


