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Londrina

Política

m de leitura Atualizado em 04/07/2022, 00:20

Encontro do presidente de Portugal com Lula gera atrito com Bolsonaro

Apesar de Bolsonaro ter dito que cancelaria um almoço com Marcelo Rebelo Sousa, a comitiva portuguesa não foi informada

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de julho de 2022

Flávia Montovani/ Folhapress
AUTOR autor do artigo

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São Paulo - Após se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou neste domingo (3) que ainda não sabe se o líder brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), vai manter a reunião marcada com ele para esta segunda, em Brasília. 

Apesar de Bolsonaro ter dito na sexta que cancelaria o encontro após saber que Rebelo se reuniria com Lula, a comitiva portuguesa não foi informada oficialmente do cancelamento, e o evento segue na programação da viagem.  

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Rebelo, no país para a celebração do centenário do primeiro voo transatlântico Portugal-Brasil, disse que se não recebesse uma confirmação até o fim desta tarde, partiria para um "plano B" e ficaria mais um dia em São Paulo. 

"Houve um convite escrito, aceitei por escrito. Vou ficar no programa originário", disse ele à imprensa. Um pouco depois, admitiu que estava reprogramando a agenda para o caso de o encontro com Bolsonaro não ser confirmado. "Se até o começo da tarde não houver uma confirmação por escrito, fico por São Paulo." 

A reunião com Rebelo, marcada originalmente para as 10h30 no Itamaraty e que seria seguida de um almoço às 12h, não constava da agenda oficial de Bolsonaro na tarde de domingo. Rebelo afirmou que não tratou do tema com Lula, nem da campanha eleitoral no Brasil. Segundo ele, ambos conversaram sobre a Guerra da Ucrânia e seus impactos geopolíticos e sociais no mundo. O petista não deu declarações após a reunião, realizada na residência oficial do cônsul português. 

O presidente português negou que o episódio tenha gerado um incidente diplomático entre os países. "Como chefe de Estado, não alterou nada meu relacionamento com o chefe de Estado brasileiro, nem do Estado português com o Estado brasileiro nem no relacionamento entre os povos português e brasileiro." 

Questionado se não previu que a reunião com Lula - principal adversário do atual presidente na eleição deste ano - poderia gerar mal-estar, Rebelo afirmou que a programação de sua visita é celebratória, que já havia encontrado ex-líderes em outras viagens e que oficialmente não há campanha eleitoral no Brasil. "As candidaturas serão só em 6 de agosto. Portanto, não há candidatos. Não há nem sequer período eleitoral." 

Rebelo negou que seu encontro com o ex-presidente seja uma tomada de posição de seu governo em relação à eleição brasileira. "Falei com o ex-presidente Lula como já havia falado há um ano. Falarei com [Michel] Temer, Fernando Henrique [Cardoso], todos os ex-presidentes." Ele disse que pretende voltar ao Brasil em setembro e que, nesse caso, agirá de forma diferente. "A campanha estará correndo." 

Após a reunião com Lula, Rebelo visitaria a Bienal do Livro e, como anunciou, encontraria-se com os ex-presidentes Temer (MDB) e FHC (PSDB). Segundo o líder português, se o almoço com Bolsonaro for cancelado e ele ficar em São Paulo, talvez remarque a conversa com o tucano para a segunda-feira. 

‘QUEM CONVIDA DECIDE’ 

Antes de embarcar para o Brasil, no aeroporto de Lisboa, logo após Bolsonaro dizer que desistiria do almoço, o líder luso afirmou que "não vale perder um segundo com um almoço quando há amizade entre os povos". "Quem convida é quem pode decidir se mantém ou não o almoço", afirmou o presidente português, que não descartou um novo almoço com Bolsonaro "daqui a alguns meses, meio ano". 

Como presidente, Rebelo é chefe de Estado de Portugal. O comando de governo é exercido pelo primeiro-ministro, o socialista António Costa. Trata-se da segunda vez que ele vem ao Brasil em menos de um ano - em julho de 2021, participou da reabertura do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. 

Apesar de Portugal manter importantes laços econômicos, sociais e culturais com o Brasil, as relações entre os líderes dos dois países mantiveram-se distantes durante a gestão Bolsonaro. O presidente brasileiro, por exemplo, até o momento não visitou Portugal durante seu mandato —ao contrário de todos os líderes desde a redemocratização, com exceção de Itamar Franco. 

A passagem anterior de Rebelo ocorreu num período agudo da pandemia, e o encontro repercutiu na imprensa portuguesa pela diferença de comportamento das duas delegações. O líder português e seus assessores chegaram ao Palácio da Alvorada usando máscaras, enquanto Bolsonaro dispensou o item.