Brasília Um público reduzido de empresários e uma ''gafe'' diplomática marcaram o primeiro evento relativo à Cúpula América do Sul-Países Árabes, ontem pela manhã. No seminário, o governo brasileiro divulgou que espera elevar de US$ 8 bilhões por ano para US$ 15 bilhões o fluxo de comércio entre o Brasil e o mundo árabe nos próximos três anos. Mas foi uma ''gafe'' diplomática do Itamaraty na abertura do encontro empresarial que irritou um dos mais ilustres convidados da cúpula, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa.
Chamado de última hora para compor a mesa de autoridades, o líder árabe acabou no canto, precedido na ordem protocolar por várias autoridades de escalão inferior, inclusive da própria Liga. No quarto discurso da mesa, Mussa se levantou e foi embora sem dar explicações, surpreendendo algumas autoridades e empresários árabes presentes.
Mussa representa 22 estados-membros da Liga Árabe, organismo multilateral. Quando ocorrem cúpulas de chefes de Estado árabes, Mussa é, tradicionalmente, o segundo a discursar.
O Itamaraty disse não saber o motivo que levou Mussa a deixar o evento e arriscou que poderia ter sido outro encontro já agendado. Porém, a reportagem apurou que o secretário-geral seguiu diretamente do seminário para o seu quarto no hotel Blue Tree. O governo também classificou a repercussão entre participantes árabes do erro do cerimonial de ''fofoca e especulação''.
A outra convidada de última hora para a mesa foi a secretária de Turismo do Distrito Federal, Lúcia Flecha de Lima.
No evento, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) anunciou a meta para promover negócios entre países sul-americanos e árabes. ''Podemos atingir US$ 15 bilhões em três anos não com grande esforço, mas com alguma dedicação dos setores empresariais'', declarou Furlan.
Em 2004, os países árabes importarem US$ 240 bilhões em mercadorias de todo o mundo. A participação sul-americana nesse total não ultrapassou 2%. ''A iniciativa do presidente Lula de reunir os países árabes e sul-americanos em Brasília é uma iniciativa estratégica'', disse.
Embora 1.250 empresários estivessem inscritos para o seminário, a cerimônia de abertura registrou baixo quórum. A platéia de aproximadamente 400 participantes destoou do imenso auditório - com capacidade para 3.500 pessoas - em que o evento foi realizado. O seminário é acompanhado de uma feira de negócios com países árabes. O Itamaraty justificou o baixo comparecimento pelo fato de que muitos empresários ainda estão chegando a Brasília. Além disso, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes, os empresários devem participar de vários encontros no Rio e em São Paulo.
Hoje, o Mercosul e o CGC (Conselho de Cooperação do Golfo) devem firmar um acordo com aspirações de criar uma zona de livre comércio entre os dois blocos de países. Os países que participam do conselho controlam atualmente 24% das reservas globais de petróleo e 6% das de gás natural.

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