O governador Itamar Franco reuniu-se ontem, durante três horas, com o alto comando da Polícia Militar. Ao fim do encontro, Itamar manteve silêncio e disse: ‘‘Sinto muito, foi uma reunião fechada.’’ O tom da reunião, segundo fontes ligadas à PM, não foi o de confronto com o governo federal. O governador de Minas Gerais fez aos coronéis um longo relato sobre a situação crítica do Estado e as dificuldades que poderá enfrentar, diante dos sucessivos bloqueios realizados pela União.
De acordo com ele, os reflexos atingirão todos os setores. A ordem aos comandantes da PM foi a de não dar nenhuma entrevista sobre o encontro com o governador. Itamar falou aos comandantes da apreensão sobre um possível descontrole das tropas, caso o Estado não tenha recursos para pagar salários. O governo pediu a colaboração dos comandantes para evitar rebeldia por parte dos soldados, quando faltar comida nos quartéis e combustível para os carros.
Segundo fontes ligadas à PM, a reunião de hoje estava agendada há vários dias. A idéia era simplesmente promover o primeiro encontro do governador com os novos comandantes da polícia, numa reunião ordinária. Ao ser avisado sobre o bloqueio das contas correntes de Minas Gerais - pela procuradora do Estado, Misabel Dersi - Itamar decidiu mandar uma resposta ao governo federal, criando um novo fato político.
Além do comandante-geral da PM, coronel Mauro Lúcio Gontijo, e dos chefes do Estado Maior, coronel José Antoninho de Oliveira, e do Gabinete Militar, coronel Marco Antonio Nazaré, outros 20 comandantes do interior do Estado participaram da reunião.

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