Encontro com FHC pode selar filiação de Lerner
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Sucursal de Curitiba 
O governador Jaime Lerner deve se encontrar até o final desta semana com o presidente Fernando Henrique Cardoso para acertar a data de sua filiação ao PSDB. Há duas semanas, Lerner vem mantendo contatos com lideranças nacionais do PSDB para acertar sua mudança partidária. O último contato foi feito anteontem, com o governador de São Paulo, Mário Covas.
Mesmo contrariando recomendações médicas de repouso, Lerner viajou a São Paulo na tarde de terça-feira para uma conversa com Covas. O encontro aconteceu no Palácio dos Bandeirantes e foi a portas fechadas. O governador do Paraná não encontrou resistências por parte do colega paulista.
O encontro decisivo entre Lerner e FHC estava previsto para hoje. Lerner iria aproveitar um convite feito pelo Ministério da Saúde a todos os governadores de Estado para viajar a Brasília e acertar a data de sua filiação ao PSDB. Mas a inauguração de hoje da fábrica da Kaiser em Ponta Grossa vai manter Lerner no Estado.
Um dos principais articuladores desse encontro está sendo o diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Euclides Scalco. A filiação de Lerner ao PSDB representará o retorno do partido às origens, da qual Scalco e o ex-senador José Richa fazem parte.
Mas os neo-tucanos, liderados por Álvaro Dias, ensaiam uma resistência à entrada de Lerner. Ontem, o deputado Luiz Carlos Hauly, que ocupa uma das vice-lideranças do governo na Câmara de Deputados, distribuiu nota dizendo que essa decisão terá que passar por uma avaliação das lideranças do PSDB no Estado. O atual presidente regional do PSDB, Hélio Duque, é o principal obstáculos para os planos do governador.
Lerner decidiu deixar o PDT por razões políticas e adminsitrativas. A partir de agora, o PDT deve intensificar a oposição ao presidente Fernando Henrique. Isso porque o partido tem planos de disputar as eleições presidenciais de 98. A oposição nacional poderia levar FHC para o lado de Álvaro Dias, principal opositor de Lerner na sua futura campanha à reeleição. Além disso, o governo federal poderia desprestigiar financeiramente o Estado, pelo fato de ser governado pelo PDT.
Tomada a decisão de mudar de partido, Lerner optou pelo PSDB para manter a imagem de homem de esquerda e social-democrata e para neutralizar definitivamente as pretensões de Álvaro Dias. Com isso, o Paraná pode repetir nas eleições estaduais a aliança nacional no próximo ano.


