Os pedidos de empréstimos externos do Paraná, bloqueados pelo Senado e devolvidos ao Paraná por determinação do senador Esperidião Amin (PPB-SC), devem retornar à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) no início da semana que vem. O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, que voltou ontem de Brasília, garante que o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), comprometeu-se ‘‘a despachar em favor do Paranᒒ.
No entendimento do secretário, o requerimento de Amin - aprovado por 14 dos 27 senadores integrantes da Comissão na quinta-feira retrasada (dia 12) - não está respaldado pelo Regimento Interno do Senado. ‘‘Fica claro que a CAE aprovou algo sem nenhuma base legal. A Comissão foi orientada apenas pelos aspectos políticos’’, afirma Salomão, referindo-se ao lobby feito pelos senadores do Paraná, Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB), que condicionam a liberação dos empréstimos à entrega dos contratos firmados entre o governo e as montadoras de veículos.
A secretaria geral da mesa executiva do Senado confirmou ontem a possibilidade dos empréstimos do Paraná retornarem à CAE. O secretário Raimundo Carreiro aguardava ontem à noite a assinatura de ACM para executar o despacho.
‘‘Devolução à origem’’ - determinada pelo senador pepebista - não consta nas alternativas apontadas pelo Regimento Interno do Senado, explicou a secretaria geral da mesa executiva ontem. Uma vez oficializada a decisão de ACM, os empréstimos serão encaminhados para o presidente da CAE, senador José Serra.
Serra pode desconsiderar a orientação da mesa, distribuir novamente a relatoria da matéria para o senador Osmar Dias, o que pode resultar no arquivamento dos empréstimos ou em nova diligência requerendo as cópias dos contratos com as montadoras. A outra alternativa - a que mais agrada o governo do Estado - é Serra escolher outro relator, desvinculado do Paraná, que colocaria a matéria novamente em discussão.
O governador Jaime Lerner, que ainda não havia conversado com o secretário do Planejamento, voltou a ‘atirar’ ontem contra Requião e Osmar. ‘‘Esses dois senadores estão ficando cada vez mais nervosos. Eu já vejo a baba do senador Requião escorrendo pelo lado direito da boca, o lado dele’’, atacou.
Osmar Dias distribuiu aos jornais um levantamento feito pelo seu gabinete que dá conta que o governo do Paraná pagou cerca de US$ 2 milhões só em multas pelo não uso de recursos já liberados pelo Senado por falta de contrapartida. ‘‘Prova da falta de competência desta administração’’, ataca.

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