Empréstimos deram prejuízo de US$ 4 milhões
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O ex-diretor de Câmbio e Operações Internacionais do extinto Banco do Estado do Paraná (Banestado, vendido ao Banco Itaú em 2000), Gabriel Nunes Pires Neto, o doleiro Alberto Youssef e seis empresários foram denunciados na última sexta-feira, por crime contra o sistema financeiro nacional e de causarem prejuízos à instituição financeira de quase US$ 4 milhões.
Conforme a ação assinada pelos procuradores da República Carlos Fernando dos Santos Lima, Luciana da Costa Pinto, Suzete Bragagnolo e Vladimir Barros Aras que integram a força-tarefa que investiga a lavagem de dinheiro em 11 estados brasileiros, Pires Neto, que ocupou o cargo de novembro de 1997 a janeiro de 1999, teria concedido empréstimos irregulares a três empresas através da agência Banestado Grand Cayman, nas Ilhas Cayman. Os empréstimos teriam sido feitos sem garantias de liquidação das dívidas, o que teria acumulado prejuízos ao Banestado.
A ação relata que, devido um acordo firmado entre o governo do Estado e a União, para saneamento do banco para o processo de privatização, a agência Grand Cayman deveria encerrar as atividades a partir do dia 5 de janeiro de 1999. Por isso, o Conselho de Administração do Banestado teria deliberado que todos os ativos daquela agência deveriam ser liquidados ou transferidos a outras instituições financeiras. No entanto, de acordo com os procuradores, Pires Neto teria acertado com os demais denunciados a liberação de empréstimos irregulares através daquela agência, cujos vencimentos se dariam em data posterior ao fechamento da Grand Cayman, em agosto de 1998. Os empréstimos teriam vencimento em fevereiro e março de 1999.
Dentre os denunciados, está a empresária londrinense, Maria Cristina Ibraim Jabur. A ação relata que a empresa Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos Ltda, teria se utilizado do empréstimo. ''O tempo e a justiça mostrarão a verdade, que a minha empresa e eu somos pessoas idôneas'', afirmou Maria Cristina. A reportagem tentou entrar em contato com Pires Neto, mas foi informada, pelo telefone da residência do ex-diretor, que ele estaria viajando e que não teria levado o telefone celular.
A fraude teria sido descoberta após checagem da movimentação das chamadas contas bondes administradas pelo doleiro em Nova York. Youssef está preso desde o dia 2, em Curitiba, acusado de movimentar cerca de US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado em Nova York, e de sonegar R$ 118 milhões em impostos. O advogado do doleiro, João dos Santos Gomes Filho, disse desconhecer a denúncia. Gomes Filho ainda afirmou que deve ajuizar amanhã, um habeas corpus para tentar livrar Youssef da prisão preventiva.


