Um suposto empréstimo contraído pelo município de Londrina com a Banestado S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, em janeiro de 1999, no valor de R$ 2,4 milhões, é o principal ponto que deveria ser esclarecido ontem durante uma acareação entre o ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan, o ex-diretor administrativo da empresa Ismael Mologni e os ex-secretários municipais Gino Azzolini Neto (Governo) e Luiz César Guedes (Fazenda).
A acareação, que deveria ser realizada em Londrina, com os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigam irregularidades na Copel, não foi possível devido ao mau tempo registrado durante a manhã. Os deputados chegaram a embarcar em dois aviões um fretado e outro comercial , mas o fechamento do aeroporto fez com que a comissão somente pudesse pousar em Presidente Prudente (SP). A acareação foi transferida para quinta-feira na Assembléia Legislativa.
O empréstimo, caucionando ações preferenciais da companhia de telecomunicações, foi levantado durante as investigações da comissão e teria ocorrido oito meses após a negociação de 45% das ações da Sercomtel com a Copel, que rendeu aos cofres municipais R$ 186 milhões.
''A Sercomtel fez uma operação junto ao Banestado de R$ 2,4 milhões, caucionando ações sem comunicar a Copel, que por ter 45% das ações, deveria ter sido informada. Em depoimento à CPI, Pavan disse que essa operação foi feita sem a assinatura dele e somente com a assinatura de Ismael Mologni, então diretor financeiro'', relatou o membro da comissão, deputado Vanderlei Iensen (PDT). ''O Pavan tem conhecimento desse contrato de opções mas ele não assinou, portanto considera-se o contrato nulo. Por que depois que o Pavan soube não tomou nenhuma atitude?'', complementou o sub-relator da CPI, Alexandre Curi (PMDB).
Conforme o quadro acionário da Sercomtel, no mesmo período deste empréstimo, o município ordenou o repasse de 23,16% das ações preferenciais à Banestado Corretora pelo não pagamento de outro empréstimo contraído em maio de 1998, no valor de R$ 12 milhões, caucionando 2,4 milhões de ações. O empréstimo venceu em dezembro e, de acordo com Guedes, não foi resgatado por uma ''decisão pessoal do prefeito (Belinati)''. ''Tínhamos orientado pelo pagamento, mesmo porque tínhamos dinheiro em caixa, mas foi uma decisão dele (Belinati)'', afirmou.
Segundo Guedes, os R$ 12 milhões foram utilizados para pagamentos gerais da administração, como salários e fornecedores. ''Havia necessidade de recursos. Tínhamos um déficit muito grande'', justificou. Apesar de ter participado da administração de Belinati de janeiro de 1997 a março de 1999, Guedes disse não ter conhecimento deste segundo empréstimo firmado com a Banestado Corretora. Azzolini e Mologni não quiseram dar declarações à imprensa. Pavan não compareceu ao Tribunal do Júri, local onde seria realizada a acareação. Segundo o consultor jurídico da Assembléia, Jefferson Abade, Pavan encaminhou aos deputados um pedido de dispensa da audiência. O requerimento deveria ser analisado ontem pela comissão.
De acordo com a comissão, outra dúvida não esclarecida pelos ex-integrantes da administração Belinati no depoimento prestado em abril, é sobre o destino das ações da Sercomtel que foram caucionadas nos empréstimos firmados com a Banestado Corretora. Segundo a assessoria de imprensa da Sercomtel, o município detém 55% das ações ordinárias (que dão direito a voto) e 45% pertencem à Copel. Das ações preferenciais (as que foram caucionadas), 31,83% são do município, 44,99% da Copel e 23,16% da Banestado Corretora (comprado pelo Itaú). Do total de ações, 47,10% pertencem à Prefeitura de Londrina, 45% à Copel e 7,89% à Banestado Corretora.

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