Curitiba - O dinheiro ainda não está na conta, mas o governo do Paraná já dá como certo o recebimento do empréstimo de R$ 817 milhões pro meio do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal (Proinveste). Após a autorização do repasse pelo Ministério da Fazenda, na terça-feira, o dia de ontem foi de trâmites burocráticos para a consolidação do financiamento. O secretário estadual de Finanças, Luiz Eduardo Sebastiani, passou o dia de ontem reunido com representantes do Banco do Brasil para tratar do assunto.
"A minuta já chegou ao Banco do Brasil. O governador assina amanhã (hoje), o contrato de garantia, na sequência, só dependeremos do trâmite entre o Banco do Brasil e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", disse o secretário. "Mas agora não há nenhum risco de esse recurso não ser liberado, não tem mais como ser embargado. Não posso precisar quando, mas é só questão burocrática", assegurou.
Vindo com quase dois anos de atraso, os R$ 817 milhões já chegarão aos cofres do Estado carimbados. O governo pretende destinar R$ 430,6 milhões para obras em estradas, R$ R$ 186,4 milhões para a segurança pública e os R$ 200 milhões restantes para a capitalização do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul.
O atraso na liberação do empréstimo motivou uma guerra política entre o governo do Estado e os representantes paranaenses no governo federal. Enquanto a Secretaria do Tesouro Nacional considerava o Paraná inapto a receber empréstimos nacionais e internacionais por conta do não cumprimento do investimento mínimo em saúde e do estouro do limite prudencial com gasto com pessoal, o governador Beto Richa (PSDB) atribuía à perseguição política motivada por interesses eleitoreiros da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), provável adversária de Beto nas eleições de outubro, e a oposição acusava o governador de incompetência administrativa.
O impasse envolvendo a liberação do empréstimo foi lembrado ontem na Assembleia Legislativa, pelo deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB). "O empréstimo finalmente saiu. Eles não iam deixar a presidente Dilma Rousseff (PT), que vem para o Paraná na sexta-feira, ter que explicar essa perseguição política da não liberação de um recurso que ela deu a ordem para liberar, mas as mãos invisíveis seguiam segurando", declarou.

mockup