Empresas recorrem pelo reajuste
Emerson Cervi
De Curitiba
Advogados das concessionárias de rodovias do Paraná devem protocolar hoje, no Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF), em Porto Alegre, agravo regimental contra a suspensão do reajuste de mais de 100% nos valores das tarifas de pedágio no Estado. O aumento foi barrado pela juíza Marga Inge Barth Tessler na terça-feira. Ela acatou pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar). O agravo contra suspensão do aumento será julgado pela turma de férias do TRF na próxima quarta-feira.
Ontem, as concessionárias começaram a divulgar tabelas com as novas tarifas. Se os advogados conseguirem cassar o recurso do Setcepar na próxima quarta-feira, os aumentos entram em vigor a partir da zero hora do dia 27 de fevereiro. A única praça com aumento inferior a 100% será a da BR-277, entre Curitiba e o litoral. Nesse trecho o valor passa de R$ 2,50 para R$ 4,30.
Romeu Bacelar, um dos advogados das empresas, definiu a decisão da juíza Tessler como surpreendente. Respeito o despacho, mas vamos apontar uma série de equívocos na análise das informações apresentadas por uma entidade que nem faz parte do processo, disse ontem Bacelar. Segundo ele, o Setcepar ainda não foi incluído oficialmente como terceiro interessado na ação que as concessionárias movem contra o governo do Estado. O sindicato solicitou a inclusão como terceiro e antes do juiz da primeira instância aprovar o pedido, os advogados apresentaram o recurso ao Tribunal Regional.
Outro argumento que será usado pelas concessionárias para justificar o aumento diz respeito à retomada das obras. Para conseguir a liminar, o Setcepar alegou que tinha sido autorizado o reajuste sem previsão de novos investimentos. Mas no dia 24, juiz federal Zuudi Sakakihara, que autorizou a alta da tarifa, respondeu a um embargo de declaração apresentado pelo DER do Paraná. Na resposta, Sakakihara afirma ser óbvio que o cronograma de investimentos terá que ser retomado imediatamente após a majoração dos preços.
O diretor de uma das concessionárias, que não quer ser identificado, disse ontem que será possível reduzir um pouco os índices de aumento se o governo do Estado aceitar uma revisão do cronograma de obras. O reajuste mínimo, segundo esse diretor, poderá ficar próximo dos 80%.





