Empresas proíbem visita de vereadores
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Sid Sauer 
Onze empresas de Campo Mourão vão proibir que os vereadores que votaram a favor do aumento salarial para eles próprios entrem nos estabelecimentos para fazer qualquer tipo de campanha política. A proibição foi comunicada à Câmara numa carta enviada esta semana ao presidente Edson Battilani (PSDB) e assinado pelos donos das 11 empresas. Eles fazem parte de um grupo chamado G-11 que se reúne toda sexta-feira para discutir problemas da categoria.
Queremos registrar o nosso repúdio a esta proposta indecorosa e dizer aos vereadores que, apesar de terem sido avisados da opinião contrária da comunidade, votaram a favor do aumento, que a partir de hoje estão proibidos de entrar em nossas empresas para qualquer tipo de campanha política, frisa um trecho da carta, datada de segunda-feira, 24. O documento diz que o G-11 acompanhou com misto de tristeza e revolta a votação que aumentou o salário dos vereadores.
Em outro trecho da carta, os empresários dizem que o aumento foi abusivo e inoportuno e que as justificativas apresentadas pelos vereadores favoráveis ao reajuste foram ridículas. É inadmissível que alguns vereadores ainda acreditem que o assistencialismo, nos moldes que mantêm na miséria os nossos irmãos nordestinos, seja a solução dos nossos problemas sociais, ressalta a carta. O mesmo documento diz que as 11 empresas, juntas, geram 492 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos.
Eles nos chamaram de ladrões, queixa-se o vereador Janir Luiz Barbosa, o Branco (PFL), referindo-se ao trecho da carta que chama o aumento de assalto aos cofres públicos. Nunca pedi voto nessas empresas e agora também não compro mais nada nelas, diz outro vereador, João Alves (PMDB). Ninguém se irritou mais, no entanto, que Antônio Verri Mançano (PMDB). Eles foram malcriados e isso não vai ficar assim, diz, prometendo um processo.
RepresáliaA manifestação do G-11 não foi a primeira da classe empresarial contra os vereadores. Na semana passada, a Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam) mandou uma carta aos oito vereadores que aprovaram o aumento salarial dizendo que lamentava a aprovação. Acreditamos que a função do Legislativo vai além de legislar para seus próprios interesses, diz o documento, assinado pelo presidente Marcos Antônio Corpa e pelo secretário Jaime Salvadori.
A classe empresarial encontra-se decepcionada, diz outro trecho da carta. Registramos nesta oportunidade nosso descontentamento e repúdio por tão infeliz aprovação. Anteontem, Mançano protocolou na Câmara súmula de um projeto que pretende revogar a lei municipal aprovada há um ano, que libera o horário de funcionamento do comércio no município. Mançano era um dos defensores do horário livre, mas nega que a medida seja uma represália à carta dos empresáros.
Tomei a decisão porque o propósito da lei, que era gerar empregos, não está sendo atingido, justifica o vereador. Um dos autores da lei do comércio livre, Edevaldo Louzano (PTB), que também votou a favor do aumento salarial e recebeu a carta dos empresários, disse que vai continuar defendendo a liberação do horário, mas sem o mesmo empenho de antes. Louzano também critica a carta da Acicam. Foi o presente que recebi por ter feito uma lei em defesa dos empresários, ironiza.


