Onze empresas de Campo Mourão vão proibir que os vereadores que votaram a favor do aumento salarial para eles próprios entrem nos estabelecimentos para fazer qualquer tipo de campanha política. A proibição foi comunicada à Câmara numa carta enviada esta semana ao presidente Edson Battilani (PSDB) e assinado pelos donos das 11 empresas. Eles fazem parte de um grupo chamado ‘‘G-11’’ que se reúne toda sexta-feira para discutir problemas da categoria.
‘‘Queremos registrar o nosso repúdio a esta proposta indecorosa e dizer aos vereadores que, apesar de terem sido avisados da opinião contrária da comunidade, votaram a favor do aumento, que a partir de hoje estão proibidos de entrar em nossas empresas para qualquer tipo de campanha política’’, frisa um trecho da carta, datada de segunda-feira, 24. O documento diz que o G-11 acompanhou com ‘‘misto de tristeza e revolta’’ a votação que aumentou o salário dos vereadores.
Em outro trecho da carta, os empresários dizem que o aumento foi ‘‘abusivo e inoportuno’’ e que as justificativas apresentadas pelos vereadores favoráveis ao reajuste foram ‘‘ridículas’’. ‘‘É inadmissível que alguns vereadores ainda acreditem que o assistencialismo, nos moldes que mantêm na miséria os nossos irmãos nordestinos, seja a solução dos nossos problemas sociais’’, ressalta a carta. O mesmo documento diz que as 11 empresas, juntas, geram 492 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos.
‘‘Eles nos chamaram de ladrões’’, queixa-se o vereador Janir Luiz Barbosa, o ‘‘Branco’’ (PFL), referindo-se ao trecho da carta que chama o aumento de ‘‘assalto aos cofres públicos’’. ‘‘Nunca pedi voto nessas empresas e agora também não compro mais nada nelas’’, diz outro vereador, João Alves (PMDB). Ninguém se irritou mais, no entanto, que Antônio Verri Mançano (PMDB). ‘‘Eles foram malcriados e isso não vai ficar assim’’, diz, prometendo um processo.
RepresáliaA manifestação do G-11 não foi a primeira da classe empresarial contra os vereadores. Na semana passada, a Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam) mandou uma carta aos oito vereadores que aprovaram o aumento salarial dizendo que lamentava a aprovação. ‘‘Acreditamos que a função do Legislativo vai além de legislar para seus próprios interesses’’, diz o documento, assinado pelo presidente Marcos Antônio Corpa e pelo secretário Jaime Salvadori.
‘‘A classe empresarial encontra-se decepcionada’’, diz outro trecho da carta. ‘‘Registramos nesta oportunidade nosso descontentamento e repúdio por tão infeliz aprovação’’. Anteontem, Mançano protocolou na Câmara súmula de um projeto que pretende revogar a lei municipal aprovada há um ano, que libera o horário de funcionamento do comércio no município. Mançano era um dos defensores do horário livre, mas nega que a medida seja uma represália à carta dos empresáros.
‘‘Tomei a decisão porque o propósito da lei, que era gerar empregos, não está sendo atingido’’, justifica o vereador. Um dos autores da lei do comércio livre, Edevaldo Louzano (PTB), que também votou a favor do aumento salarial e recebeu a carta dos empresários, disse que vai continuar defendendo a liberação do horário, ‘‘mas sem o mesmo empenho de antes’’. Louzano também critica a carta da Acicam. ‘‘Foi o presente que recebi por ter feito uma lei em defesa dos empresários’’, ironiza.

mockup