As empresas já começam a rever seus planos de produção para os próximos meses. A percepção de uma redução do ritmo de atividade tem levado a uma revisão para baixo das estimativas de crescimento para o segundo semestre. A mudança de humor dos empresários seguiu o nervosismo no mercado financeiro nas últimas semanas, que provocou forte desvalorização do real, alta do risco país e das taxas de juros no mercado futuro.
A Trombini Papel e Embalagem, um dos maiores fabricantes de caixas de papelão ondulado no País, com faturamento de R$ 387 milhões no ano passado, por exemplo, cortou pela metade a taxa inicialmente projetada para a expansão da produção e vendas no semestre. O diretor de Operações, Ricardo Trombini, conta que a empresa reviu sua projeção de crescimento do intervalo de 4% a 4,5% para 1,5% a 2%. ‘‘Desde meados de maio, o ritmo das encomendas vem desacelerando. A retração é maior nos pedidos das fábricas de eletrodomésticos, de roupas e de calçados’’, observa.
A Semp Toshiba, que detém 25% do mercado brasileiro de televisores, informa que os fabricantes da linha de produtos de imagem e som, cujas vendas cresceram 17% no primeiro semestre, estão revendo suas previsões para o segundo. Antes das turbulências recentes no mercado financeiro, o setor esperava para o ano um crescimento de 20% nas vendas em relação a 2001. Agora, a previsão é que os resultados desse ano cresçam entre 13% e 15%.
No ano passado, foram vendidos 4,7 milhões de aparelhos de TV no País. Se confirmadas as previsões da indústria, o mercado voltará à casa de 5,3 milhões ou 5,4 milhões de unidades. Embaladas pela boa campanha da Seleção brasileira na Copa do Mundo, as vendas de televisores na Semp Toshiba continuaram aquecidas neste fim de mês. De acordo com a empresa, os produtos estão sendo faturados com reajuste médio de 4% nos preços, referente ao repasse de parte do aumento de custos provocado pela alta do dólar. O consumidor já deve começar a sentir o impacto desse aumento a partir desta semana.

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