Empresas entregam documentos que confirmam vendas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de agosto de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Locadoras de veículos, gráficas, postos de combustíveis e um estúdio de produção de vídeo estão entre as empresas visitadas ontem pela Polícia Federal (PF). Mediante apresentação de mandado judicial, foram entregues aos policiais cupons fiscais e contratos de serviço emitidos na época da campanha eleitoral do ano passado.
Pelo menos uma gráfica e dois postos de combustíveis confirmaram que venderam à campanha de Nedson Micheleti. As notas, segundo alguns empresários ouvidos pela Folha, eram emitidas em nome de ''Eleições 2004''.
João Batista de Lima, proprietário do Posto Santo Expedito da Avenida Arthur Thomas, confirmou ter vendido aproximadamente R$ 9 mil em combustível. Segundo ele, a PF requisitou, ontem, todas as notas emitidas para a campanha de Micheleti entre agosto de 2004 e janeiro de 2005. ''Vendemos para quem quer comprar. Agora a polícia vai confrontar se as notas foram declaradas ou não'', afirmou.
Outro estabelecimento visitado pelos policiais foi o Posto Leblon. O gerente José Eduardo, que não quis divulgar seu sobrenome, relatou que a PF também solicitou todas as notas relativas a vendas para a campanha do atual prefeito. ''O que me pediram, eu forneci. A empresa não tem nada a ver com a investigação, fico preocupado que essa história gere uma imagem negativa'', esclareceu.
A Grafinorte, de Apucarana, entregou aos policiais federais notas fiscais de prestação de serviço à campanha que totalizam R$ 19.680,00. A empresa, segundo o diretor superintendente, Baltazar Eustáquio de Oliveira, imprimiu alguns jornais. ''Também foram levadas três notas emitidas para a prefeitura de Londrina por serviços prestados através de licitação'', acrescentou. Essas emissões são em torno de R$ 20 mil. ''Facilitamos o acesso da Polícia Federal a toda a documentação. Se as notas não foram contabilizadas, isso não nos diz respeito'', enfatizou.
Em duas locadoras de veículos, a PF recolheu contratos de locação assinados no período da eleição. Na Avis, o gerente João Luiz Fernandes informou que entregou fotocópias dos documentos relativos a outubro e novembro do ano passado. ''Não sabemos quem foram os usuários dos carros. A polícia terá que investigar todos eles'', afirmou.
Carlos Eduardo Pedro da Silva, administrador da locadora Unidas, relatou situação parecida. ''Entreguei contratos de locação para os policiais pesquisarem'', disse ele, que garante não ter prestado serviço à campanha de Nedson Micheleti.
A Folha apurou que as locadoras Brascar e Localiza também foram visitadas pelos policiais. A reportagem tentou contato com os responsáveis mas não obteve retorno. A Gráfica Tamoyo e o estúdio Studio S também teriam sido investigados. Funcionários dessas empresas, contudo, informaram que não havia nada a declarar sobre o assunto. O Posto Cívico também teria sido investigado ontem. Por telefone, a reportagem não conseguiu contato com representantes da empresa. Também foram alvo dos mandados de busca e apreensão o Estúdio S, Gráfica Tamoyo, Gráfica Santin, Sadalu (Moreno e Gonçalves Ltda.), Auto Posto Com Tour, Auto Posto Central, Auto Posto São Pedro, Auto Posto Ecos, Auto Posto Shangri-lá, Posto Itália, Posto Centro Cívico, Posto São João, e um posto na Avenida Maringá (no mandado somente havia o endereço).


