Curitiba - Na disputa pela alteração das tarifas de pedágio, governo e concessionárias apresentam os números que lhes parecem mais convenientes para convencer a opinião pública de suas posturas. O valor dos investimentos divulgados pelo governo Roberto Requião (PMDB) é dois terços menor do que o sustentado pelas concessionárias.
Segundo Requião, as planilhas de contabilidade das seis concessionárias do Estado indicam que entre 1998 e 2003 que as concessionárias arrecadaram R$ 1,67 bilhão, sendo que teriam investido em melhorias nas estradas apenas R$ 611,8 milhões, o equivalente a 36,55% do total arrecadado. ''As concessionárias receberam nossas estradas de presente e jamais ofereceram a contrapartida necessária'', disparou Requião, que sugeriu a hipótese de superfaturamento de obras para empreiteiras.
O presidente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovia (ABCR), João Chiminazzo Neto, qualificou como ''insensatas'' as acusações. ''É bom deixar claro que o contrato prevê obras, e não gastos. As concessionárias têm acionistas, que estão interessados no dinheiro investido e não permitiriam esse tipo de gasto'', rebateu.
Chiminazzo também acusou o governo Requião de estar tentando manipular a opinião pública com a divulgação de números que não conferem com a realidade. O dirigente da ABCR sustenta que os balancetes entregues ao governo anualmente pelas concessionárias contêm os números corretos dos investimentos.
Os números da ABCR não levam em conta o ano de 2003, cujo balancete ainda não está finalizado. Pelos dados da ABCR, as seis concessionárias já teriam investido R$ 920,6 milhões e arrecadado R$ 1,325 bilhão. O valor dos investimentos divulgados pela associação correspondente a 69,5% da receita total das empresas.
O levantamento da ABCR aponta aonde foram realizados os investimentos. Pelos dados da associação, de 1998 a 2002 foram realizadas duplicações em 174 quilômetros de estradas, além de criações de terceiras-faixas em trechos que somam 124 quilômetros, além de alargamentos e recuperações de pontes e viadutos. ''Também foram feitas a recuperação e a implantação de 1.490 quilômetros de acostamentos, além da restauração de 946 quilômetros de estradas. E essas restaurações não foram apenas tapar buracos; na maior parte dos casos teve que praticamente se reconstruir a rodovia sobre o seu eixo original'', destacou.

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