Empresas do PR também estão envolvidas
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de fevereiro de 1997
Fabiano Camargo Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaRequião: A trilha dos dólares é que vai nos levar aos responsáveisOs trabalhos da CPI dos títulos precatórios apontam para a participação de empresas e pessoas físicas do Paraná no esquema montado para operações irregulares. A comissão do Senado divulgou uma lista de cheques da IBF Factoring, empresa envolvida no caso como laranja responsável pela lavagem do dinheiro desviado, emitidos para sete pessoas e uma empresa do Estado, totalizando R$ 34 milhões. A depositária do maior cheque seria Carmem Alonso Javier, de Foz do Iguaçu, que teria recebido R$ 21 milhões.
Os cheques já rastreados fazem parte de um caminho que, segundo o relator da CPI, senador Roberto Requião, indicará o paradeiro do dinheiro envolvido na lavagem. Segundo ele, outros títulos públicos também devem ter sido utilizados nas transações e os desvios devem superar os R$ 6 bilhões já detectados.
Pegamos o rabo do gato, agora vamos puxar com cuidado para tirá-lo da toca, disse Requião ontem à tarde para a Folha. Semana que vem continuaremos ouvindo os administradores públicos. O secretário da Fazenda de Pernambuco é o seguinte. Como um próximo passo, pretendemos estudar a atuação dos bancos e dos doleiros que estão envolvidos na lavagem do dinheiro, disse.
A trilha dos dólares é que vai nos levar aos principais responsáveis. Mas antes de chamarmos os doleiros vamos investigar profundamente, pois existem suspeitas de que muitos dos nomes implicados são falsos, afirmou.
Requião também não descarta o envolvimento de prefeitos e governadores, mas prefere não aprofundar-se em algumas conjecturas que questionam a gestão do atual prefeito de São Paulo, Celso Pitta, à frente da secretaria de Finanças de São Paulo, durante a administração de Paulo Maluf (1993 a 1996). Mas se forem detectadas irregularidades na gestão Pitta ela também será analisada com rigor. Governadores e prefeitos, se envolvidos, correm o risco de impeachment.
O Senador acredita que o desvio causado pelo esquema seja superior aos R$ 6 bilhões já computados. Este valor certamente é muito maior. Acreditamos que os envolvidos não faziam as fraudes apenas com os precatórios, mas com todos os títulos públicos, afirmou.
Dos R$ 64,3 milhões em cheques emitidos pela IBF Factoring para terceiros já rastreados, teriam sido depositários quatro pessoas físicas de Foz do Iguaçu: Carmem Alonso Javiel (R$ 21,5 milhões), Benício Alonso Godoy (R$ 4 milhões), Holf Kramer (R$ 200 mil) e Miguel Sosa (R$ 2,2 milhões). A listagem inicial das investigações apontou ainda uma pessoa de Curitiba, Ozória Bergamo Justino (R$ 169 mil), e outra de Leônidas Marques, Humberto Almeida dos Santos (R$ 847 mil), além da empresa curitibana Cempre Consultoria e Assessoria Empresarial (R$ 5,4 milhões).
Requião diz que ainda não está esclarecida a participação destes nomes no esquema, apesar das suspeitas de que tenham agido como agentes para a lavagem do dinheiro obtido nas transações irregulares. Estamos procurando as respostas com cautela para não expor ninguém à execração pública sem provas, disse. Até aqui, os trabalhos têm avançado muito bem, 15 empresas foram liquidadas em poucos dias de atuação, o que é uma marca histórica para o Brasil.


