Curitiba - A Polícia Federal (PF) intimou as empreiteiras citadas nos interrogatórios do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, realizados na semana passada, na Justiça Federal do Paraná, a prestarem esclarecimentos sobre diversos depósitos milionários feitos em contas de empresas controladas pelo doleiro londrinense (MO Consultoria, Empreiteira Rigidez, GFD Investimentos e RCI Software). Estes valores seriam distribuídos entre os operadores do esquema de desvio em contratos da estatal petrolífera, além de também serem utilizados para pagamento de propina a partidos políticos.
O prazo para que as empresas justifiquem estes repasses é de cinco dias e termina nesta semana. Ainda no mês de junho a FOLHA já havia antecipado que a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) do Paraná havia solicitado à PF a abertura de 31 novos inquéritos dentro da Operação Lava Jato. Entre eles, 23 miravam especificamente empresas que teriam alguma relação com Costa e com o doleiro Youssef. Os outros oito procedimentos se referiam a relações de clientes em transações com a doleira Nelma Kodama, em outra ação penal.
Cada inquérito instaurado na época visava identificar a origem das ligações do ex-diretor, durante sua gestão, com as empresas, e eventuais contratos por elas firmados com a Petrobras e com outros órgãos públicos. Além disso, os inquéritos também começaram a apurar as ligações das empreiteiras com Youssef. Desde então, as investigações avançaram e culminaram na intimação de cada empresa para prestar esclarecimentos.
Conforme as investigações apontaram, "há indícios veementes" de que as empresas do doleiro eram fantasmas e usadas para lavagem de dinheiro, diante emissão de "notas fiscais fraudadas", porque ou elas inexistiram de fato, ou pelo menos não teriam condições de prestar qualquer serviço real.
A partir da quebra de sigilo bancário foram identificados vários depósitos nas empresas do doleiro. Na conta da GFD Investimentos, por exemplo, foi verificado um depósito de R$ 8,5 milhões da Piemonte Empreendimentos Ltda.; outro de R$ 4,4 milhões da Treviso Empreendimentos Ltda.; e da Mendes Jr. Trading e Engenharia e Consórcio Mendes Júnior MPR SE, um depósito de R$ 5,5 milhões. A MO Consultoria, outra empresa controlada por Youssef, recebeu depósitos da Jaraguá Equipamentos Industriais (R$ 1,9 milhão), Investminas Participações S/A (R$ 4,3 milhões), Engevix Engenharia S/A (R$ 3,2 milhões), Galvão Engenharia S/A (R$ 1,5 milhão), Construtora OAS e OAS Engenharia (R$ 1,1 milhão), Coesa Engenharia (R$ 435,5 mil) e Consórcio SEHAB (R$ 431,7 mil). Outras empreiteiras também tiveram seus sigilos bancários quebrados, mas os valores depositados nas contas de empresas de Youssef não foram divulgados.
Algumas das empreiteiras citadas por Costa e Youssef nos interrogatórios negaram as irregularidades e consideraram "caluniosas" as alegações feitas pelos réus do processo. Outras informaram apenas que estão contribuindo com as investigações e que estão prestando os esclarecimentos necessários.

Youssef
O doleiro Alberto Youssef completou hoje duas semanas de depoimentos prestados a procuradores da força-tarefa do MPF e a delegados da Polícia Federal. O londrinense fechou o acordo de delação premiada e começou a prestar os esclarecimentos sobre as investigações da Operação Lava Jato no última dia 2, na tentativa de conseguir uma redução de sua pena. Conforme o advogado Antonio Figueiredo Basto, os depoimentos devem se estender "por muito tempo", sem previsão de término.

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