Osmani Costa
De Londrina
Duas das empresas envolvidas nas denúncias de superfaturamento e desvio de verbas públicas prosseguem prestando serviços para o município, através de contratos com a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). A Tâmara e a Principal, pertencentes a um mesmo grupo empresarial de Maringá (90 km a oeste de Londrina), continuam trabalhando no setor de capina e roçagem, e de segurança, respectivamente, apesar de estarem há cinco meses sem receber da Comurb.
‘‘Estamos devendo cerca de R$ 500 mil à Tâmara e à Principal. Depois que houve as denúncias, suspendemos os pagamentos. A direção das empresas já pediu o rompimento dos contratos, mas não autorizamos este procedimento. Mesmo sem receber, elas continuam obrigadas a prestar os serviços porque são de primeira necessidade’’, comentou o presidente da Comurb, Celso Costa. Ele disse que a suspensão dos pagamentos deveu-se também aos problemas de disponibilidade de recursos da companhia. A Folha procurou os diretores da Tâmara/Principal para entrevista duas vezes, mas eles não deram retorno às ligações telefônicas.
Mesmo com a continuidade da Tâmara atuando na limpeza de terrenos e espaços públicos – com capina e roçagem – ao lado de cerca de 300 operários da frente de trabalho agrupados pela Comurb, é grande o número de reclamações de moradores contra o mato que toma conta de boa parte de diversos bairros da cidade. Leitores da Folha fazem contato diariamente para reclamar da má qualidade do serviço neste setor.
A Comurb recebeu em média 16 pedidos de limpeza de terrenos particulares por dia desde o início do ano. Segundo Humberto de Lima, aproximadamente 90% destas 750 solicitações tinham justificativa e geraram a prestação de serviço pela companhia, depois de avaliadas por fiscais do setor. ‘‘Boa parte dos pedidos já foi atendida. Os terrenos, mal cuidados pelos donos realmente necessitavam de roçagem ou capina. Fizemos e agora vamos mandar a conta para os proprietários’’, comentou o diretor.
De acordo com ele, o grande problema de capim e mato alto na cidade é gerado por terrenos particulares e não pelas áreas públicas. ‘‘Tanto que a maior parte das reclamações de vizinhos são contra terrenos localizados em novos bairros e loteamentos. Por lei, os donos são obrigados a mantê-los limpos, mas muitos não o fazem’’, afirmou Lima.
Ele adiantou que só no próximo mês será possível avaliar se a equipe de operários da Comurb dará conta de toda a limpeza necessária na cidade. ‘‘Vamos notificar os donos de terrenos, de todas as regiões da cidade, a limparem suas propriedades em 15 dias. Vencido este prazo, vamos limpá-las e cobrar caro por isto’’, explicou o diretor da companhia.
A notificação não será individual, mas coletiva e em forma de edital pela imprensa. A Comurb cobrará 0.13 Ufir (cerca de R$ 0,13) por metro quadrado de roçagem e 0.26 Ufir (cerca de R$ 0,26) por metro quadrado de capina, além de uma taxa de administração de 3.2 Ufirs e uma multa de 10% do valor total do serviço. O valor será reajustado mensalmente e lançado no carnê do IPTU do próximo ano.

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