Empresas afinam discurso com Barbosa
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O presidente do sindicato das empresas do transporte coletivo em Londrina (Metrolon), Paulo Bongiovani, admitiu ontem que o sistema na cidade ''tem umas peculiaridades que o tornam um pouco mais caro que em outros municípios; por exemplo, temos uma frota mais nova''. Para Bongiovani, porém, a tarifa de R$ 2 cobrada atualmente, há 44 meses, ''ainda está mais baixa que em muitas outras localidades do mesmo tamanho que Londrina''.
A declaração do presidente do Metrolon, à FOLHA, foi feita instantes depois de uma coletiva de cerca de uma hora na qual empresários da Francovig e da Grande Londrina, donos do contrato de concessão firmado em janeiro de 2004, juntamente com advogados, rechaçaram a posição da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara de rompimento de contrato. Ao mesmo tempo, as partes afinaram o discurso com o prefeito Barbosa Neto (PDT) que, anteontem, descartou o relatório final da CEI para análise da tarifa, transferiu à Universidade Estadual de Londrina (UEL) a ''análise técnica'' da planilha elaborada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) - a instituição tem prazo até a próxima quarta-feira - e clamou por uma ''agenda positiva'' na discussão dos problemas da cidade.
Para Barbosa e a Procuradoria do Município, posição corroborada e elogiada ontem pelos empresários, a comissão parlamentar feriu dispositivos constitucionais ao impor atribuições que seriam competência exclusiva do prefeito ou, no caso de rompimento contratual, decisão não unilateral.
Em entrevistas recentes, o presidente da CMTU, Lindomar Mota dos Santos, afirmou que, ainda que o indicativo da companhia seja de reajuste da tarifa, a margem de lucro das empresas estabelecida em contrato - mínimo de 7,5%, máximo de 10% - é ''onerosa ao sistema''.
Para o presidente do Metrolon, ainda que a tarifa careça, na análise do sindicato, de recomposição, o ponto arguido por Santos é passível de negociação. ''Queremos uma agenda positiva. Obviamente que as empresas, nesses últimos três anos, vêm tentando baixar custos, mas é importante a gente conversar e estabelecer essa agenda. O que pudermos fazer para deixar a tarifa sempre menor para o nosso usuário, porque isso também é interesse nosso, faremos, mas sempre analisando uma planilha que é técnica'', defendeu, para completar: ''Achamos positiva a ação do prefeito, ele está com a cidade na mão, e isso é importante para todo mundo''.
O secretário-geral do Metrolon e diretor da Grande Londrina, Gildalmo de Mendonça, se esquivou de admitir concorrência pública no setor conforme sugerido pela CEI. ''Acho que antes de nos preocuparmos com isso, temos de lembrar que há um contrato vigente com 100% das obrigações cumpridas.''
Já a respeito de supostas falhas no gerenciamento do sistema, por parte da CMTU, o presidente da Francovig, Francisco Francovig, descartou a hipótese da comissão. ''Temos controle na garagem e nas catracas, que são eletromecânicas, e muita conferência, por parte da companhia, sobre o serviço - e isso é o tempo todo, todo dia'', salientou.


