Empresas aéreas facilitam operações
Correio Popular e
Da Redação
O olho gordo do crime organizado sobre empresas de aviação tem alvo certo. Além do interesse óbvio no transporte de drogas e contrabando, empresas aéreas podem ser utilizadas com perfeição para lavagem de altas somas de dinheiro. A operação mais comum é através dos chamados empréstimos back-to-back que começaram a ser investigados pela CPI do Narcotráfico. O valor mínimo das operações back-to-back gira em torno de US$ 100 mil, mas podem atingir somas milionárias.
O back-to-back foi criado para que empresas possam comprar equipamentos e bens de consumo, como aviões e máquinas pesadas, através de empréstimos tomados no exterior. Para isso, há uma tramitação jurídica estabelecida por lei. A pessoa que quer comprar o bem no Brasil encaminha o pedido de empréstimo para uma financeira no exterior. A financeira consegue o crédito junto a um banco internacional. Feito isso, o Banco Central deve dar seu aval ao empréstimo. Só então o dinheiro para a compra da aeronave ou do bem de consumo é liberado.
Para funcionar em esquemas de lavagem, a operação tem que contar com a cumplicidade da financiadora no exterior e também do banco. O dono do dinheiro sujo deposita o dinheiro na agência bancária e a agência, através da financiadora, libera o financiamento normalmente na forma de leasing, chamado de leasing branco. Na verdade a aeronave foi paga à vista, em dinheiro, mas o banco e a financeira emitem notas como se ela estivesse sendo paga à prazo. Assim, o dinheiro sujo fica limpo na forma de aeronave ou outro equipamento.
Este mecanismo exige alguns cuidados no Brasil. A aeronave deve estar em nome de uma empresa aérea. Na verdade, esta empresa pode nem operar na prática. Faz um ou dois vôos por mês e emite notas falsas como se estivesse em plena operação. Assim, para efeitos do fisco, ela está faturando a ponto de poder pagar as falsas prestações do leasing, explica Robson Tuma.
Segundo ele, o esquema exige uma rede de empresas virtuais, financeiras e o conluio de bancos no exterior. Ele não exclui o envolvimento de funcionários do Banco Central que fariam vistas grossas a algumas destas operações para que o crédito seja liberado.
Maurício D,. o homem de muitos nomes e nenhum rosto, seria uma especialista neste tipo de operação. Por isso as investigações esbarram em tantas histórias envolvendo empresas aéreas. Começamos a investigar diversas empresas, que teriam sido montadas e fechadas, ou montadas e logo vendidas pelo esquema, antecipa Tuma.Empréstimos para compra de equipamentos aéreos podem ser utilizados com perfeição para a lavagem de dinheiro
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