Roberto Castro/Agência EstadoConfissãoJosé Fernando de Almeida, da Funcef: vícios na operaçãoBRASÍLIA - A CPI dos Precatórios identificou ontem indícios da possível participação de funcionários da Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, em uma operação irregular com papéis de Santa Catarina. Essa operação fabricou lucro de R$ 2,466 milhões para empresas do esquema dos títulos e só foi possível graças a uma mudança na política de investimento do fundo de pensão.
A Funcef tinha como princípio não comprar títulos públicos. Mas, em 29 de outubro de 96, o seu conselho de administração aprovou uma nova orientação. No dia seguinte, a Funcef comprou R$ 20,766 milhões em títulos de Santa Catarina. A mudança na política de investimentos da Funcef ocorreu menos de dois meses depois da posse do atual presidente do fundo de pensão, José Fernando de Almeida, em 12 de setembro.
Em depoimento anteontem à CPI, Almeida disse que as novas diretrizes de investimento foram sugeridas por dois membros do comitê de investimentos da Funcef, Francisco Mendes de Alencar Filho e Mirnaloy Oliveira Lima. Ambos foram convocados para depor na CPI na quarta-feira. Antes de chegar à Funcef, os títulos de Santa Catarina passaram, em um só dia, por seis supostas integrantes do esquema: Vetor, Tecnicorp, Perfil, Negocial, Ativação e Vetor.
O deságio (desconto) inicial da operação, quando os papéis foram vendidos por Santa Catarina, foi de 17,13%. No final, o desconto ficou reduzido a 5,55%. As intermediárias ficaram com a diferença de 11,58 pontos percentuais. ‘‘Confesso que a operação contém vícios. Todas essas corretoras não vão mais operar com a Funcef, pois quebraram a relação de confiança’’, disse Almeida, negando qualquer participação do fundo de pensão no esquema.

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