Empresários vão cobrar mudanças
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segunda-feira, 30 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Ao entregar hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso o documento Real: Conquistas, Desafios e Perspectivas, o empresariado brasileiro estará dando início a uma campanha para pressionar governo e parlamentares a aprovar as reformas constitucionais antes da campanha eleitoral de 1998. É preciso aproveitar o tempo útil que temos para convencer a sociedade e o Congresso de que, sem as reformas, o País ficará privado do desenvolvimento sustentável, disse o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Lima Godoy.
O empresário acredita que com a aproximação das eleições a tese da revisão poderá perder força ou ser decidida pelos interesses eleitorais. O real não corre risco no curto prazo, mas, se esses ajustes não forem feitos, não sabemos o que pode acontecer no futuro, disse o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), presidente da CNI.
Segundo Bezerra, a CNI está articulando encontros regionais com as bancadas legislativas, para cobrar, na base política do parlamentar, o seu empenho em defesa de projetos que interessem a classe empresarial. A direção da CNI acredita que os políticos só se mobilizarão quando forem tocados no seu ponto mais sensível, o voto.
Na véspera do encontro com Fernando Henrique, o presidente da CNI não escondeu desgosto dos empresários com o governo. Segundo ele, o empresariado acha que Fernando Henrique não está se empenhando para que as reformas aconteçam. O Executivo não pode ser responsabilizado isoladamente, afirmou. Mas nós sabemos que todas as medidas aprovadas pelo Congresso, até agora, só aconteceram quando o Planalto liderou o processo.


