Curitiba - Empresários do setor de transportes estão furiosos com a decisão da Diretran de reduzir em quase 90% o valor das multas acumuladas pelos veículos da Assembléia. Parte da frota (24 carros) somava R$ 208.015,00 em multas, mas o valor foi reduzido para R$ 25.339,75.
''Aos amigos do rei todas as benesses. Aos súditos, que pagam impostos, o rigor da lei'', ironizou o presidente interino do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná, Valmor Weiss. Como dono de empresa de transporte de valores, ele afirma que, no ano passado, pagou cerca de R$ 145 mil em 290 multas e garante não ter tido qualquer desconto, apesar de obedecer os prazos legais para recorrer.
Do total de autuações, apenas um ou dois recursos, segundo ele, foram aceitos, o que não o livrou do pagamento da multa, mas apenas dos pontos nas carteiras de habilitação de seus motoristas. Ele reconhece que não recorreu de todas as multas. ''O objetivo não é educar o cidadão. Virou um setor de arrecadação'', reclamou, referindo-se à Diretran.
Apesar de indignado e de não achar justo, Weiss parece encarar com certa naturalidade o ''tratamento diferenciado para os que gravitam em torno do poder ou são o poder''. ''Não tem como ser diferente'', disse. A gerente de operação de trânsito da Diretran, Léa Hatschbach, nega que tenha havido tratamento diferenciado para as multas dos carros da AL. Ela disse que se houvesse favorecimento, o órgão teria desobrigado a Assembléia a apresentar os condutores infratores para acatar os processos de desagravo de multa.
Léa disse que a Diretran ''está pagando o preço'' por fazer o que o Código de Trânsito estebelece. ''O resto do País não faz o agravamento'', afirmou. Léa explicou que se alguma pessoa ou empresa tem dúvida com relação ao indeferimento de recursos, deve entrar em contato com a Diretran passando o número do processo.

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