Londrina - A exemplo do que ocorreu na primeira fase da Operação Publicano, conforme publicou a FOLHA em 8 de maio, a segunda denúncia também narra a conduta de empresários que se recusaram a pagar propina. Em represália, foram multados em altos valores contra os quais recorreram administrativa ou judicialmente.
Chama a atenção o caso de um grupo de empresas do setor de alimentos de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) que foi assediado pelos fiscais da Receita por três vezes entre os anos de 2007 e 2008. Na primeira, a abordagem foi "genérica" e os agentes não estipularam um valor a ser pago. Nas duas outras ocasiões, a propina exigida foi de R$ 400 mil (em cada uma delas).
Em depoimento aos promotores, o empresário afirmou que "não existia razão para pagamento de propina porque sua empesa estava cumprindo com suas obrigações fiscais" e que "não aceita esse comportamento (corrupto)".
Como consequência da resistência ao achaque, as empresas receberam a visita de dois auditores. Nas palavras do empresário, "mais parecia uma operação de guerra": os auditores "ingressaram de forma arbitrária, abrindo gavetas, deixando claro que a intenção era amedrontar".
As empresas foram multadas em aproximadamente R$ 6 milhões. O proprietário apresentou recursos à própria Receita, que foram indeferidos. Mais à frente, aderiu a um programa do governo do Estado que reduziu significativamente o valor da multa porque seria mais vantajoso do que contratar um advogado para discutir se o valor era ou não devido.
O mesmo empresário também revelou que chegou a reunir-se com diretores da Receita e com o secretário estadual da Fazenda (mas seu depoimento não revela a data da reunião ou com qual secretário se reuniu) para denunciar a perseguição, suas reclamações "eram absolutamente desconsideradas".
Outros quatro empresários também não aderiram aos acordos de corrupção. Também foram multados em valores significativos.(L.C.)

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