Empresários questionam uso de verbas públicas
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domingo, 19 de abril de 2009
Agência Estado 
Salvador - Um dos pontos altos do primeiro dia de debates do 8º Fórum Empresarial, que reúne 320 altos executivos de grandes companhias brasileiras até terça-feira (21) na Ilha de Comandatuba, no sul baiano, foi a sabatina promovida por alguns deles a parlamentares presentes no evento sobre os recorrentes escândalos no Congresso. Um dos principais alvos foi o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Depois de listar alguns exemplos recentes de denúncias contra o uso indevido, por parte de parlamentares, de verbas da Casa, a presidente da rede Magazines Luiza, Luiza Helena Trajano, uma das mais exaltadas, reclamou. ''A gente não pode aceitar o dinheiro público ser tão mal cuidado.''
Temer rebateu: ''Os equívocos são 10, 12, 15 casos entre 513 deputados e 81 senadores, não podem ser levados como regra'', alegou. ''E estamos trabalhando. O crédito para passagens aéreas, por exemplo, acabou de ser reduzido. Os gastos com verbas de gabinete agora estão todos na internet, para quem quiser ver. E estamos conversando para criar um mecanismo no qual o dinheiro não passe pela mão do deputado ou do senador, mas que passe só pelo Congresso.''
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), porém, admite que a imagem tanto da Câmara quanto do Senado está bastante manchada. ''É o pior momento que já vivi no Senado'', admite. ''Mas o Congresso é como a classe empresarial, na qual há bons e maus empresários.''
Fortes e Temer partiram, então, para a defesa da imagem do Legislativo. ''É interessante que, no Brasil, quando acaba um regime autoritário, o Legislativo é exaltado e, depois de alguns anos, ele perde força e surge um novo regime autoritário'', comentou o presidente da Câmara. ''Sem um Legislativo forte, não há democracia.''


