Empresários pregam atuação política contra crise
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A alta carga tributária e de encargos trabalhistas, o real supervalorizado e a taxa de juros que coloca o Brasil no topo das mais elevadas, aliados a problemas crônicos na saúde, educação e segurança, são questões que não devem ter solução a curto ou médio prazos se a iniciativa ficar restrita - e centralizada - aos mandatários do poder público. A opinião, compartilhada por empresários de diferentes setores em Londrina, foi defendida ontem pelo cietista político e professor universitário Augusto de Franco, um dos idealizadores de um projeto que visa a incrementar a participação do cidadão em assuntos de interesse público.
O movimento surgido há quase um ano é a Rede de Participação Política do Empresariado, parceria da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap). Em Londrina, o evento delineou ontem os primeiros passos de um projeto político que gere desenvolvimento pela participação e da criação de lideranças.
Na avaliação do cientista político, o atual descrédito na classe política não pode minar a participação de organizações da sociedade pela mudança de aspectos que garantam mudanças positivas ao cidadão.
''Temos a expectativa de que as pessoas comecem a se organizar por uma agenda de prioridades e adentrem a política pública, não essa política privada de governos e partidos. Essa luta privada tem um limite, e o cidadão sabe se mobilizar quando acredita na mudança'', afirmou Franco. Como exemplo, ele cita estatísticas da evolução no surgimento de blogs nos últimos meses: em todo o mundo, eram 37,3 milhões de diários do tipo em abril de 2006; em outubro, já eram 57 milhões. ''Não vejo esperança de automudança por parte dos governantes, mas a sociedade e a maior liberdade dela têm mostrado chances.''
Para o empresário do setor de saúde Nicola Mortati Neto, a conscientização deve se empenhar na integração entre governantes e a categoria. ''Temos uma carga tributária elevada e a falta de políticas efetivas na segurança, saúde e educação que precisam ser discutidas conjuntamente'', exemplificou. Empresário da construção civil, o coordenador da Fiep em Londrina, Clóvis Coelho, concorda. ''É hora de buscar alternativas continuamente, sem esperar que os projetos venham só dos políticos'', disse.


