Menos de 24 horas após a promulgação da emenda da reeleição, empresários foram ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso cobrar a aprovação das reformas, principalmente a tributária. ‘‘É preciso acelerar as reformas e encontrar uma sintonia entre o Executivo e o Legislativo’’, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN).
Acompanhado pelo coordenador da Ação Empresarial Integrada, empresário Jorge Gerdau, Bezerra convidou o presidente para o encontro que reunirá 300 empresários brasileiros em Brasília, dia 1º. No encontro a categoria pretende entregar a Fernando Henrique um manifesto com uma análise crítica do Plano Real e da política econômica do governo.
Na avaliação de Gerdau, houve avanços na área de exportação, com a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias para os produtos exportados, com a desoneração do PIS e da Cofins e com a redução do custo do financiamento. ‘‘A competitividade na exportação melhorou parcialmente, mas o produto nacional tem condições desiguais de competição no mercado interno’’, criticou.
O empresário defendeu a aprovação da reforma tributária como forma de evitar a desvalorização do real. ‘‘Uma reforma tributária inteligente permitirá uma margem superior a 15% no câmbio’’, justificou. ‘‘Ela é o único caminho para equilibrar o câmbio e reduzir os juros.’’
O senador Bezerra entregou a FHC a Agenda Legislativa da Indústria, com a posição da CNI sobre 131 projetos em tramitação no Congresso e destacou a contribuição do Legislativo para a redução do Custo Brasil. ‘‘O Congresso aprovou, no último ano, 1,25 projeto de redução do Custo Brasil por mês’’, afirmou. ‘‘Mas o Brasil está mudando rápido e se não estivermos prontos para a competição quem vai parar é a sociedade.’’
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) prepara um movimento para cobrar a aprovação das reformas constitucionais. No dia 23 a entidade reúne congressistas, empresários e economistas num seminário para discutir o assunto e divulgar um documento chamado ‘‘A Nação tem pressa’’. As mudanças, avalia a Fiesp, são essenciais para consolidar a estabilidade econômica e criar condições para a retomada dos investimentos e o aumento da competitividade.
No documento da Federação serão detalhadas as razões da urgência para as mudanças constitucionais. Além disso, a Fiesp apresentará um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sobre os reflexos econômicos, sociais e políticos da demora no encaminhamento das reformas. O presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, está terminando de fazer o programa do fórum, que terá a participação de dez palestrantes.

mockup