Apesar da prisão em flagrante ter abrangido apenas Henrique Barros (PMDB), a ação penal que denuncia formação de quadrilha na Câmara de Vereadores de Londrina aponta uma liderança no suposto esquema de cobrança de propina: o vereador Orlando Bonilha (PR). Segundo os autos, seriam deles as incumbências de ''centralização da arrecadação dos valores que fossem auferidos por meio de consussões praticadas'' e de ''a posterior distribuição dessas importâncias a integrantes do bando''. A prisão preventiva dele e de Barros chegou a ser pedida, anteontem, mas acabou rejeitada pelo juízo da 3 Vara Criminal.
Na ação, Barros - procurado pelas alterações legais pleiteadas por empresários em todas as três situações investigadas - é denunciado como o responsável pelas ''tratativas com determinados interessados na aprovação de projetos de lei, impondo a estes a obrigação de entregar valores em dinheiro (e até em cheques), sob a perspectiva de represálias por parte da Câmara Municipal, sempre mediante aproveitamento do temor e respeito gerado na população por agentes ocupantes de cargos no Legislativo''.
No depoimento dele no dia da prisão, no qual apontou como o esquema era operado, o vereador do PMDB chegou a lembrar que os três empresários beneficiados ''são pessoas idôneas, amigos de infância'' dele. Ainda conforme o depoimento, ao qual a FOLHA teve acesso, o vereador ainda os teria orientado ''como funciona o esquema de compra de votos para ser aprovado um projeto''.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, os empresários não foram denunciados na ação penal por eventual crime de corrupção ativa, por exemplo, porque os indícios de concussão teriam sido fortes o suficiente para provar que eles efetuaram os pagamentos mediante ameaças. ''Percebemos que determinados projetos de lei sofrem tramitação absolutamente fora do natural: ou era atrasada ou acelerada, conforme o interesse do cidadão, sem contar a confissão de um dos vereadores e depoimentos de testemunhas (13, ao todo). Além disso, essas vítimas não propuseram nada; foram intimidadas'', afirmou.
Sobre o pedido de prisão contra Barros e Bonilha, Esteves alegou que o principal fundamento da medida foi ''a garantia da ordem pública, fundada no fato de que entendemos de que poderia haver reiteração de ações criminosas''.
A promotora de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltarelli, disse que a pasta aprofundará as investigações também à forma como se deu a tramitação dos projetos a fim de apurar se houve ainda crime de improbidade administrativa. ''Se os fatos investigados tiverem vícios de ilegalidade, podemos pedir mesmo a reversão dos efeitos da lei'', avisou.
Na parte da manhã, durante depoimento, Bonilha negou participação nas reuniões em que o dinheiro seria repartido. ''Isso mexeu principalmente com a instituição Câmara; nós vereadores passamos, mas a instituição tem que ser preservada'', afirmara. Seu advogado, Ronaldo Neves, classificou a relação do cliente aludida por Barros como ''abraço de afogado''. ''Ele está tentando levar mais pessoas em um ato isolado; Bonilha não presenciou nem recebeu nada'', garantiu Neves, que disse aceitar quebra de sigilos telefônico e bancário do vereador.

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