Empresários fazem corpo-a-corpo
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Empresários e financiadores de campanhas eleitorais foram mobilizados pelo governo no esforço pela reeleição. Com seus ternos elegantes e modos discretos, eles marcaram presença no Salão Verde da Câmara, em gabinetes de líderes, nos restaurantes frequentados pelos políticos e até numa solenidade, no Itamaraty, onde estava o presidente Fernando Henrique. Além de circularem, telefonavam para os gabinetes dos deputados amigos cobrando o voto na reeleição.
Tenho mais de 50 recados no gabinete, dizia, aflito, o deputado Mário Martins (PMDB-PA), relacionado entre os rebeldes. O pior é que, dessas pessoas, a pelo menos três eu jamais poderei dizer não. O apelo do Planalto aos patrocinadores foi uma das mais eficientes armas de campanha. O governo consultou as listas de financiadores de campanhas, que hoje é pública, e mobilizou todos eles, disse o deputado Delfim Netto (PPB-RJ/foto).
Ao ver uma roda de empresários na porta do plenário, Arnaldo Faria de Sá (PPB-RJ) ironizou: Deve ser essa a voz rouca das ruas. Estavam no local José Carlos Paes Mendonça (Supermercados Bompreço), Manuel Dantas (Frunorte), Luiz Mandelli (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul) e Lauro Fiúza (Centro das Indústrias do Ceará). No gabinete do segundo secretário da Câmara, Leopoldo Bessone (PTB-MG), o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Stepan Salej, despachava com 40 empresários num entra-e-sai de deputados.
Tenho mais de 50
recados no gabinete,
dizia, aflito,
Mário Martins
O presidente do PFL do Paraná e diretor da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos (Fenabrave), José Carlos Carvalho, chegou em Brasília na segunda-feira, com a missão de mudar o voto rebelde do deputado Ricardo Barros (PFL-PR). Infelizmente não houve argumento que o convencesse, lamentou. A presença dessa gente na Casa vai desmoralizar o Congresso, disse José Genoíno (PT-MG).
Durante almoço oferecido a Fernando Henrique pelo Comitê Empresarial Permanente, no Itamaraty, houve diversos brindes à vitória da emenda da reeleição. Um deles foi erguido pelo presidente da Associação dos Exportadores do Brasil, Pratini de Morais, e outro pelo mineiro Stefan Salej.
Aproveitando o bom humor de Fernando Henrique, o presidente da Sadia, Luís Fernando Furlan, disse, segundo relato do porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral: Presidente, agora que o senhor tem mais seis anos, eu queria propor a criação do Ministério da Exportação. Houve risos, mas o presidente ponderou: Concordo em que deva ser dada ênfase à questão da exportação; mas o problema maior neste setor é a coordenção entre os diversos ministérios do governo; por isso foi criada a Câmara de Comércio Exterior.
Ainda segundo o porta-voz, o presidente fez uma comparação entre a sua candidatura à Presidência da República e a reeleição, ambas condicionadas à intenção de FHC de dar continuidade às reformas, iniciadas com o Plano Real.


