Empresários e servidor municipal são presos pelo Gaeco
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Rafael Machado e Guilherme Marconi<br>Grupo Folha 
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) prendeu nesta quarta-feira (28) três dos treze denunciados no suposto esquema de corrupção deflagrado pela Operação ZR3 para mudanças pontuais de zoneamento urbano na Câmara Municipal de Londrina. O juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, acatou o pedido de prisão preventiva (prazo indeterminado) contra o suposto lobista e empresário Luiz Guilherme Alho, o funcionário público Ossamu Kaminakagura (ex-diretor de Loteamentos da Secretaria de Obras) e Vander Mendes Ferreira, que também é empresário do setor imobiliário.
Os detidos foram encaminhados para a sede do Ministério Público, perto da avenida Duque de Caxias, e transferidos para a PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), na região sul. Como possuem ensino superior, ficarão em celas separadas. Eles tinham sido denunciados pelos promotores na primeira etapa da ZR-3, no final de janeiro, e até então permaneciam com as tornozeleiras eletrônicas. Além dos três, outras 10 pessoas estão sendo investigadas, como os vereadores Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), afastados da Câmara Municipal por determinação do juiz da juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha.

O advogado Gabriel Bertin, que defende Kaminakagura, não quis se pronunciar porque ainda está "tomando conhecimento do processo". O advogado Luciano Molina, que defende Luiz Guilherme Alho, classificou de arbitrária a prisão do empresário. "Estão criando factóides para prendê-lo e força-lo a fazer declarações para uma eventual delação". Ele disse ainda que não há fato novo que motiva o pedido de prisão preventiva. Já o advogado do empresário Vander Mendes, Alfeu Brassaroto Júnior, avaliou a medida como extrema. "Sem nenhuma necessidade, até porque ele estava cumprindo rigorosamente todas as obrigações e não manteve contato com os demais réus. O Vander nunca pagou ou prometeu qualquer vantagem a título de propina. Suas atitudes como empresário foram pautadas dentro da legalidade.", comentou.
Confira parte da entrevista do defensor de Luiz Alho:
Dos presos, dois faziam parte do Conselho Municipal da Cidade (CMC), também alvo de apuração do Gaeco. Por causa da operação, a Justiça determinou o afastamento por 180 dias do órgão. Em dezembro, eles foram escolhidos para integrar a equipe que fará a revisão do Plano Diretor, previsto para ser entregue em setembro ao Legislativo. Com a ZR-3, o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) teve que mudar o decreto, excluindo os réus da nova elaboração do planejamento do município.
De acordo com promotor do Gaeco, Leandro Antunes, as prisões foram feitas no dia do oferecimento da denúncia, mas mantidas em sigilo. O MP considerou fatos novos descobertos em documentos e nos celulares apreendidos na deflagração da ZR-3. "Demostram reiteração delitivas. Ou seja, que eles estavam cometendo crimes em série". Segundo Antunes, foi apreendido um cheque de R$30 mil reais de Vander Ferreira na casa de Homero Wagner Fronja, outro investigado. O documento seria destinado para pagamento de propina à Kaminakagura.
Acompanhe um trecho da coletiva do promotor:
Hierarquia
Segundo o MP, o grupo era comandado por Takahashi e Alves. Além dos presos na nova fase, também são investigados a ex-presidente do Ippul na gestão Alexandre Kireeff, Ignês Dequech, que teve o uso de tornozeleira revogado pela Justiça, o ex-secretário do Ambiente, Cleuber Brito, na mesma administração, os empresários Brasil Theodoro Mello, Antônio Carlos Gomes Dias, José de Lima Castro Neto e Homero Wagner Fronja e o ex-chefe de gabinete do vereador do PTB na Câmara, Evandir Duarte de Aquino.


