Os empresários Wilson Yoshida, dono do grupo Kriswill, de Apucarana, e José Lemes dos Santos, representante da empresa G8, de São Caetano do Sul (SP), tiveram ontem as prisões revogadas. Também foi revogada a prisão do contador das empresas, Pedro Bresciani. Eles foram detidos preventivamente na terça-feira da semana passada, suspeitos de corrupção, formação de quadrilha e peculato. O dono da G8, Marcos Ramos, segue preso. Conforme investigação do Ministério Público (MP) do Paraná, eles teriam se articulado com integrantes da administração para fraudar as licitações para fornecimento dos uniformes escolares para os alunos da rede municipal de Londrina.
O pedido de revogação foi feito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), depois de ter ouvido os três. Ontem, Lemes e Bresciani prestaram depoimento. Yoshida falou na sexta-feira passada. Eles acrescentaram informações importantes à investigação, porém, o teor não foi revelado. Nenhum deles quis falar com a imprensa.
Tribunal de Justiça
Ontem, o Gaeco também decidiu consultar o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná diante do surgimento de um novo fato na investigação, não revelado à imprensa. O inquérito com o pedido de envio ao TJ foi feito à 3 Vara Criminal de Londrina, devido a ''intercorrências'', conforme disse o delegado Alan Flore, ''surgidas recentemente''. O pedido do Gaeco foi apreciado pelo juiz Katsujo Nakadomari, porém, até o início da noite, não havia sido divulgado o parecer.
Flore explicou que ''qualquer nova medida investigativa fica suspensa até a manifestação do Tribunal'', inclusive o depoimento do ex-secretário de Governo Marco Antonio Cito, que estava previsto para hoje.
Geralmente, a remessa de apurações criminais ao TJ ocorre quando existem autoridades com prerrogativa de foro. A situação, no entanto, não se aplicaria ao ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), também investigado no caso dos uniformes, já que ele teve o mandato cassado pela Câmara de Vereadores no final de julho.
Mais depoimentos
O ex-controlador geral do município e ex-secretário municipal de Fazenda, Luiz Nicácio, foi ouvido ontem como testemunha. Ele afirmou que a auditoria sobre a compra dos uniformes ''por carona'' foi iniciada quando ele estava à frente da Controladoria Geral do Município. Contudo, Nicácio deixou o cargo em maio de 2011, para assumir a Secretaria de Fazenda no lugar de Lindomar dos Santos. Ele é candidato a prefeito pelo PSC em Centenário do Sul.
Também esteve no Gaeco ontem o assessor técnico da Secretaria de Fazenda Esdras Dias da Costa. Testemunha, ele reconheceu que a compra por ''carona'' despertou ''dúvidas'' na época.

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