Empresários dizem que Barros era único contato
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sábado, 09 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O único empresário a quem a Comissão de Ética da Câmara Municipal de Londrina ainda tinha esperanças de interrogar não apareceu na Casa ontem, dia reservado para a tomada de depoimentos dos três apontados como vítimas de extorsões praticadas por vereadores.
Por meio de advogados, Carlos Henrique Alves de Abarca e Messas, 35 anos, proprietário do restaurante Galpão Nelore, enviou uma justificativa escrita em que reafirmou que ''não teve e nem manteve qualquer tipo de contato, relação, entendimento ou outras avenças'' com os vereadores Orlando Bonilha (PR), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC). Os quatro são alvos de processo disciplinar na Câmara e de denúncia criminal apresentada à Justiça.
Os outros dois empresários convocados a depor, Alexandre Fontana Guimarães, 38, proprietário do Mercado Guanabara, e Maurício Sérgio de Biagi, dono das indústrias de metais Higiban e Flex, já haviam avisado na quarta-feira que não compareceriam. Cópias das justificativas entregues à comissão, fornecidas ontem à imprensa, mostram que os argumentos dos três foram quase idênticos. A exemplo de Messas, Guimarães e Biagi ratificarem que seus únicos contatos com membros da Câmara se deram com o então vereador pelo PMDB Henrique Barros. Como ele renunciou no mês passado, as supostas vítimas sustentam que seus depoimentos seriam inócuos.
Já nas declarações prestadas entre 10 e 11 de janeiro ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), anexadas às justificativas, há algumas diferenças entre os relatos sobre a suposta participação de outros vereadores nas extorsões. Biagi disse ter sido informado por Barros que o pagamento de propina para aprovação de projeto de seu interesse ''era a exigência de um grupo de vereadores'' (termo sempre utilizado no plural).
Messas, por sua vez, declarou ter ouvido de Barros que o empresário deveria lhe dar uma espécie de ''presente'' em face da aprovação do projeto, que consistiria em R$ 12 mil. O dinheiro, conforme o depoimento, cobriria ''gastos de campanha eleitoral, sem referir se a campanha seria dele, Henrique, ou de outras pessoas''.
Já o relato de Guimarães dá conta de que Barros ligou para ele no dia seguinte à aprovação do projeto que beneficiou o Mercado Guanabara, ''dizendo que já tinha acertado com o pessoal'' e que ''esse pessoal é imprevisível''. Não foram citados nomes, contudo.
O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro, não quis comentar se vê lacunas nos depoimentos prestados ao Gaeco, nem o que pretendia perguntar aos empresários. Ele informou que a comissão decidiu que irá oficializar o pedido de gravações telefônicas relacionadas ao caso para o juiz da 3Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, que já sinalizou que pode liberar o material. O conteúdo das gravações, assim como o próprio procedimento protocolado na Justiça, está sendo guardado em sigilo.


