Empresários criticam 'uso político' do Codel
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quinta-feira, 22 de março de 2012
Loriane Comeli <br> <br> Reportagem Local 
Em razão da nomeação das mulheres de dois membros do primeiro escalão do prefeito Barbosa Neto (PDT) para cargos no Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), mas que vão executar seus trabalhos em outros órgãos, empresários acreditam que, mais uma vez, o Codel está sendo desvirtuado da sua função técnica e usado politicamente.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, disse que ao longo dos anos o Codel e outros órgãos técnicos do município, como Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), foram sucateados e impedidos de executar suas atribuições. ''Esperávamos que o Codel fosse realmente transformado em uma agência de desenvolvimento da indústria e comércio, mas o que vemos é a parte técnica fragilizada e a prevalência das decisões políticas'', criticou Benvenho. ''O Codel tem um orçamento, mas neste recurso estão incluídos gastos com cargos que prestam serviços em outros lugares.''
Das nove pessoas que ocupam cargos comissionados hoje no Codel, quatro não trabalham no órgão. Duas delas foram nomeadas recentemente: a enfermeira Doraci Dornello Calazans Chaves, mulher do secretário de Defesa Social, Jefferson Dias Chaves, que está trabalhando no gabinete do prefeito; e Cristiane Hasegawa, mulher do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, lotada na Gestão Pública. Ambas ganham o mais alto salário entre os comissionados - R$ 5.168. As duas outras pessoas que não trabalham no Codel, mas recebem pagamento pelo órgão, são Carlos Hirooka, lotado da Secretaria de Agricultura, e Joaquim Donizete do Carmo, que estaria no departamento de informática.
''Eu não sei a necessidade do prefeito de nomear essas pessoas e não estou questionando a capacidade delas, mas o fato de serem nomeadas pelo Codel e prestarem serviços em outros órgãos é a perpetuação de um sistema de sucateamento'', disse Benvenho. ''Isso nos causa tristeza porque demonstra que não falta dinheiro ao Codel, mas boa gestão dos recursos.''
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Gerson Guariente, também lamentou a situação. ''Temos insistido que o governo municipal aparelhe com recursos humanos, equipamentos e condições de trabalho órgãos técnicos importantes da administração, como o Codel, CMTU, Ippul, Secretaria do Ambiente e de Obras, mas não é o que temos visto acontecer'', limitou-se a afirmar Guariente.
Empresários teriam cobrado o presidente do Codel, Mário Kumagai, para que desse um fim nesta situação. Ontem Kumagai não foi localizado ontem pela reportagem.


