Empresários confirmam que foram extorquidos por delator da Publicano
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segunda-feira, 07 de maio de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

Um dos colaboradores vítima do esquema de corrupção na Receita Estadual, o empresário Carlos Eduardo de Souza, confirmou ao juiz Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal de Londrina, que teria sido extorquido por pessoas ligadas ao ex-auditor fiscal, Luiz Antônio de Souza, que é principal delator da Operação Publicano. Ou seja, mesmo dentro da prisão ele teria ameaçado empresários e exigido pagamentos atrasados. O empresário foi uma das quatro testemunhas de acusação ouvidas na audiência de instrução da Publicano 5 nesta segunda-feira (7).
Carlos Eduardo - proprietário do Grupo S.G. com sede em Sabáudia (Região Metropolitana de Londrina) - contou ao juiz que teria pago em cheque cerca de R$ 1,3 milhão em dívidas ao então auditor, parte seria um empréstimo e outra parte a título de propina. Entretanto, após a prisão do auditor ele teria sustado os cheques. Depois disso começaram as ameaças e a suposta extorsão por parte de pessoas ligadas a Luiz Antônio de Souza.
De acordo com o promotor Leandro Antunes, com os fatos descobertos na Publicano 5, o acordo de delação chegou a ser anulado. "Os depoimentos contribuíram muito para demostrar as ameaças que esses empresários sofreram," disse Antunes, alegando que há ainda interceptações telefônicas e outras provas que comprovariam tais ameaças.
Outro réu colaborador, João Roberto dos Santos - que também era funcionário do Grupo S.G e administrava empresas de fachada do grupo usadas para dar suporte às fraudes tributárias - também confirmou ao juiz que sofreu várias ameaças por telefone e por mensagens do aplicativo WhatsApp. Entre as ameaças sofridas pelo empresário por mensagens de réus ligados ao ex-auditor estariam as frases: "se não pagar por bem, vai pagar por mal" e "conheço ele, sei onde ele mora, conheço a esposa dele", informou o advogado do Grupo S.G, Rogério Carvalho, também testemunha e suposta vítima da extorsão. O advogado identificou ainda o réu Laércio da Silva Oliveira que seria um dos autores das ameaças.
Segundo o promotor, apesar de Souza ter repactuado o acordo de colaboração, os outros réus que cometeram a extorsão deverão ser responsabilizados pelos crimes. "Algumas dessas cobranças foram feitas por meio de telefones de dentro da PEL 1 [Penitenciária Estadual de Londrina]", disse Antunes. O promotor lembrou ainda que as investigações apontaram que os valores utilizados pelo auditor para realizar empréstimos aos empresários também eram "dinheiro sujo" e de "propinas anteriores."
VALORES MILIONÁRIOS
Na Publicano 5, também apelidada "Publicano dos Porcos", são 52 réus acusados de 42 fatos criminosos. Além da extorsão, o Gaeco apontou ainda os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva tributária, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e associação e organização criminosa cometido pelos demais réus. Segundo as investigações, frigoríficos da região teriam sonegado milhões em impostos e, para isso, pagado propinas também milionárias aos auditores. Depois de ouvir as demais testemunhas acusação, serão ouvidas 160 testemunhas de defesa e, por último, o juiz irá interrogar os réus.
RELEMBRE
Ao deflagrar a Publicano 5 em maio de 2016, a Justiça chegou a suspender os benefícios acordados com Luiz Antônio de Souza e a liberdade prometida chegou a ser ameaçada. Na ocasião, foram presos ainda os auditores fiscais, Rosângela Semprebom (irmã de Luiz Antônio) e José Luiz Favoreto. Também foram detidos os empresários do setor de suínos Aparecido Domingues dos Santos, Antonio Luiz da Cruz, Jorge Macri e Donizete das Dores. Todos os réus respondem em liberdade.
Os advogados de Luiz Antonio de Souza e de seus familiares saíram do Fórum de Londrina sem falar com a imprensa após a audiência. O advogado de Laercio Oliveira também não quis conceder entrevista. Souza foi o primeiro auditor a ser exonerado do cargo. A época, o delator negou a extorsão, entretanto admitiu que teria pelo menos R$ 2 milhões a receber a título de propina dos empresários do setor de suínos.


