Os três principais personagens da acusação de formação de quadrilha e concussão envolvendo Henrique Barros (sem partido), Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Flávio Vedoato (PSC) - os empresários Maurício de Biagi, Carlos Messas e Alexandre Guimarães - confirmaram ontem ao juiz substituto da 3 Vara Criminal de Londrina, Marcos José Vieira, que pagaram propina ao ex-vereador para a aprovação de projetos na Câmara de Vereadores de Londrina.
A audiência de instrução presidida pelo juiz na manhã de ontem começou às 9 horas e teve pouco mais de três horas de duração. O último a chegar no Fórum foi Orlando Bonilha, que estava algemado e usava o uniforme do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), onde estava preso desde a última terça-feira e deixou a prisão no final da tarde de ontem.
Além dos empresários, foram ouvidos o advogado de Alexandre Guimarães, Ricardo Amorim, e um de seus funcionários na boate Empório Guimarães, Rômulo Cotrim, além da funcionária na empresa Higiban, de propriedade de Biagi, Camila Rodrigues e Rosane Araújo, escrivã que lavrou o auto de prisão em flagrante do ex-vereador Henrique Barros em janeiro. Os vereadores acusados apenas participaram da audiência como ouvintes.
Alexandre Guimarães deixou a audiência pouco antes das 11 horas e foi o único a confirmar à imprensa ter repetido ao juiz as declarações feitas ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em janeiro, quando os empresários admitiram ter pago cerca de R$ 40 mil a Barros para que matérias que os beneficiaram tramitassem, fossem aprovadas ou não sofressem retaliações na Casa. Messas e Biagi não quiseram comentar sobre os depoimentos com os jornalistas.
Segundo Flávio Vedoato, o último a deixar a sala da 3 Vara Criminal, ''todas as testemunhas que vieram para falar em nome da promotoria pública inocentaram todos vereadores'', citando apenas o nome de Henrique Barros. Ele não teme ser cassado, nem cogita renunciar ao cargo, mesmo depois das acusações de compra de votos na eleição da presidência da Câmara, levantadas por Bonilha em depoimento ao Gaeco. ''Só o sobremone é Vedoato, mas de mafioso não tenho nada não'', disse.
Renato Araújo se disse ''magoado'' com as acusações e preferiu não comentar sobre a prisão do ex-presidente da Câmara. ''Não existe lista da Grande Londrina, isso é conversa de quem quer ser poupado'', reforçou.
Barros e Bergamin, além dos funcionários e da escrivã que participaram da audiência deixaram o Fórum sem comentar seus respectivos depoimentos. O juiz Marcos Vieira informou que outras seis testemunhas de acusação serão ouvidas no próximo dia 13. Bonilha, que não prestou depoimento ontem também deverá ser ouvido na próxima sexta-feira.

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