A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Eleitoral (MP) cumpriram ontem quatro mandados de busca e apreensão na Hayonik Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., na residência dos proprietários Nilda e Ricardo Hayama e em outras duas empresas da família. A operação foi deflagrada um dia após a Folha divulgar, com exclusividade, reportagem relatando que o inquérito policial instaurado pela PF para apurar denúncias de irregularidades na contabilidade da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT) está averiguando a relação entre a doação do terreno à empresa em abril de 2004, através de um projeto do Executivo, e a doação de R$ 10 mil para a campanha petista em agosto do mesmo ano.
No inquérito instaurado há cópias de três cheques do Banco do Brasil emitidos por Nilda Itimura Hayama datados do dia 24 de agosto de 2004. Os cheques dois de R$ 3 mil e um de R$ 4 mil, totalizando R$ 10 mil são nominais e foram depositados na conta do ex-coordenador estrutural da campanha Augusto Ermétio Dias Júnior no mesmo dia. No dia seguinte, Augusto emitiu um cheque no valor de R$ 5 mil nominal à ele mesmo e o dinheiro foi sacado da conta. Na prestação de contas petista não consta nenhuma doação da empresa ou do casal Hayama.
A doação é citada no depoimento da ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, que no dia 27 de julho denunciou as irregularidades na prestação de contas de Nedson, gerando o inquérito. Ao MP ela relatou que seriam três cheques de R$ 10 mil cada. ''O dinheiro era doação de campanha pela via oficial'', diz Soraya no depoimento.
Em depoimento prestado ontem à PF, ao MP Eleitoral e promotores de Defesa do Patrimônio Público por cerca de duas horas e meia o casal Hayama confirmou que os cheques foram uma doação para a campanha de Nedson. ''Foi feita uma doação para a campanha no valor de R$ 10 mil, da pessoa física para a campanha do PT. Eles falaram de um recibo que nunca foi entregue'', disse o advogado dos empresários, Marcos Grassano. O advogado disse ainda que Nilda não se recorda se os cheques emitidos foram nominais a Augusto, como consta no inquérito. ''A gente não sabe ainda se os cheques saíram assinados nominalmente ou se isso foi inserido depois. A intenção deles era doar para a campanha do prefeito Nedson Micheleti.''
Segundo Grassano, o pedido de doação para a campanha teria sido feito pelo então presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Gabriel Ribeiro de Campos, que teria intermediado o processo para a doação do terreno à Hayonik. ''A solicitação foi feita através do ex-presidente da Codel, o senhor Gabriel, e quem recolheu a doação foi o senhor Augusto Dias Júnior'', relatou Grassano, negando qualquer pressão para a doação financeira. ''Pelo o que nossos clientes esclareceram não houve nenhuma pressão por parte de ninguém, nem do senhor Gabriel, nem do PT, para que fosse feita uma doação como retribuição pelo atendimento dado pela prefeitura''.
O delegado que preside o inquérito, Kandy Takahashi, disse que os depoimentos ''confirmaram algumas informações''. ''As declarações dessas pessoas levam a acreditar que realmente houve pagamento para a campanha não oficializados'', disse o delegado. Ele disse estranhar o fato dos cheques terem sido depositados na conta de Augusto. ''Muito estranho porque foram parar na conta de uma pessoa que, a princípio, não deveria, porque deveria ir para a conta da campanha. Muito suspeito. Vamos ter que questionar o Augusto sobre o por que dele teria feito isso'', adiantou. ''Os mandados de busca foram necessários para saber se haviam outros pagamentos de campanha por parte da empresa'', disse. A princípio, de acordo com Takahashi, nenhuma outra doação teria sido feita pelo casal Hayama, mas diversos documentos foram apreendidos para verificação.
Conforme Takahashi, a relação entre a doação do terreno para a empresa e o de recursos para a campanha será ''apurada pela promotoria do patrimônio público''. A promotora Leila Voltarelli, que cumpriu o mandado na residência dos Hayama, disse que a investigação ainda depende do que for apurado no inquérito.

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