Brasília - Representantes de vários setores da sociedade brasileira cobraram ontem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma postura firme diante da crise política, a punição dos culpados e retomada dos projetos do governo. Embora tenham deixado claro o apoio a Lula, todos foram enfáticos sobre a necessidade de o presidente reagir à crise.
''O seu governo é maior que essas pessoas e sua trajetória é maior que seu governo'', afirmou o representante da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Waldemar Verdi Junior. As manifestações ocorreram durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, minutos antes do discurso do presidente.
''A saúde da economia não é garantia de estabilidade, muito menos de sustentabilidade'', disse Ricardo Young, representante do Instituto Ethos no Conselho. ''Os que erraram têm que pagar. Vossa Excelência não está sozinho. O País clama pela sua ação e estará unido para apoiá-lo'', completou. Young pediu a Lula que ''assuma as rédeas da Nação sem receio e com determinação''.
O representante da Fenabrave leu um manifesto pedindo às lideranças do Congresso que, paralelamente às investigações, retomem o ritmo normal de funcionamento da Câmara e do Senado. Para o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Demétrio Valentini, o governo Lula tem direito a um habeas corpus político. ''Não só para resguardá-lo de condenações imerecidas, mas sobretudo para garantir condições de governar de acordo com o mandato constitucional que a cidadania lhe concedeu''. Segundo ele, o País está saturado da ''espetacularização'' da política.
Na linha dos demais conselheiros que discursaram, o representante do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno Rodrigues, pediu ao presidente que não abandone o sonho de todos aqueles que acreditaram na sua bandeira. Ele sugeriu ao presidente que retome a sua trajetória e que haja punição a todos os corruptos e corruptores. O sindicalista sugeriu a Lula que convoque as centrais sindicais para uma reunião, na qual seria traçada uma agenda mínima de trabalho.
Empresários que integram o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social elogiaram o discurso de Lula. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, avaliou que o discurso foi o mais incisivo desde o início da crise política. ''Essa fala foi importante, porque preocupa o CDES e os empresários que o País funcione'', afirmou Monteiro Neto. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), disse que o esforço do setor empresarial é fazer com que o País não pare enquanto Brasília ''se acerta''. ''As decisões sobre investimentos dependem do potencial do Brasil e não de um ministro'', disse.

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