BUENOS AIRES - Quem não se lembra do famoso ‘‘efeito Orloff’’, sempre citado como prenúncio de que o que acontecia na economia argentina estava fadado a acontecer na economia brasileira! Agora, a cena mudou de lugar e a vitrine passou a ser o Brasil que, com uma política ofensiva de atração de investimentos estrangeiros, tem criado uma forte inquietude entre os em presários portenhos. Há um temor generalizado de que o governo brasileiro siga firme na concessão de incentivos para atrair investidores internacionais retirando uma fatia importante do mercado que poderia ser disputado também pelos argentinos. No ano passado, enquanto ingressaram no Brasil mais de US$ 9 bilhões, a Argentina atraiu pouco mais que US$ 4 bilhões.
Os analistas econômicos sediados em Buenos Aires lembram que não se pode comparar o tamanho do mercado brasileiro com o argentino. Mas os empresários argentinos, que se reuniram com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, foram insistentes na mesma tecla: se o Brasil continuar nesta ofensiva estará sugando dólares que poderiam ter como destino Buenos Aires. Malan foi incansável e repetiu a todos que não é interesse do governo promover uma forte desvalorização cambial para facilitar o fechamento das contas externas do País.

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