O presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu ontem, na sua chegada a Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, o apoio de empresários à sua recandidatura. ‘‘Não posso negar uma coisa que é verdadeira: senti aqui que as pessoas gostaram da decisão da Câmara’’, disse o presidente ao deixar o Palácio Quitandinha, logo após um almoço com cerca de 700 convidados.
Antes do almoço, ao participar da abertura de um seminário sobre o desenvolvimento sustentado do Rio de Janeiro no século XXI, ele já havia sido recepcionado pelo secretário-executivo do Conselho Coordenador de Ações Federais no Rio, Raphael de Almeida Magalhães, com cumprimentos pela vitória na Câmara. Os aplausos insistentes por mais de cinco minutos obrigaram Fernando Henrique a levantar-se para agradecer. O presidente da Federação das Indústrias do Rio (Firjam), Eduardo Gouveia Vieira, em seu discurso defendeu a reeleição do presidente.
Fernando Henrique, também em discurso, disse que o grande desafio do governo é melhorar a educação e a ampliação do grau de capacitação tecnológica do Brasil. ‘‘Esse é um desafio moral que não se resolve em um ano, em dois anos, em três anos’’, argumentou. O presidente disse que para lidar com o fator humano é preciso mais tempo e mais empenho.
Depois, aos jornalistas, o presidente admitiu que sempre fez projetos de longo prazo e enfatizou que todo brasileiro deve tê-los. ‘‘Sem o longo prazo você não muda o Brasil’’, disse. ‘‘Estamos, todos os brasileiros, hoje, com tranquilidade para ver mais longe’’, acrescentou. ‘‘O Brasil não termina daqui a dois anos.’’ Indagado se em oito anos seria capaz de vencer o desafio moral, Fernando Henrique respondeu: ‘‘Em até menos.’’
O presidente disse estar mais entusiasmado para trabalhar. ‘‘Vou trabalhar com mais entusiasmo; sinto que a população está querendo que a gente faça o que estamos fazendo’’, declarou. ‘‘É isso o que eu tenho que fazer como presidente do Brasil.’’ Fernando Henrique negou ter discutido sua recandidatura com os empresários. ‘‘Ainda é cedo’’, ponderou. ‘‘Acho que há uma apoio para a continuidade do real.’’
Fernando Henrique queixou-se aos empresários e parlamentares presentes ao seminário das dificuldades de romper as barreiras burocráticas. ‘‘Só quem trabalha dentro do aparelho do estado é que se dá conta de que como coisas óbvias e fáceis são dificílimas’’, ponderou. ‘‘Obter recursos e transferir recursos de uma instituição estatal para outra, com a vontade do presidente da República, dos ministros e do governadores é uma tarefa hercúlea.’’
O presidente voltou a criticar aqueles que vêm se opondo ao projeto de privatização do governo. ‘‘É tão penoso ver gente, às vezes talentosa, anquilosada, fechada, sendo incapaz de ver o que ocorreu em torno de si, e utilizar palavras grandiosas para defender bandeiras que não têm mais sentido’’,afirmou. ‘‘Esses são obstáculos grandes, que só são vencidos pelo convencimento, pela ação persistente, democrática, do diálogo.’’
Uma faixa, colocada estrategicamente na entrada do Quitandinha, desejava as boas vindas ao presidente e acrescentava que os votos eram válidos até 2002, ou seja, final do segundo mandato se Fernando Henrique for eleito. Durante a viagem de helicóptero do Porto de Sepetiba para Petrópolis, o coordenador da campanha do Rio como sede das olimpíadas de 2004, Ronaldo César Coelho, brincou: ‘‘Presidente, Dom Pedro II passou 40 verões em Petrópolis; agora com a reeleição, o senhor que já veio duas vezes ...’’ Segundo Coelho, Cardoso riu.
O presidente fica em Petrópolis até amanhã, acompanhado da mulher Ruth Cardoso e dos netos. Ele está instalado no Palácio Rio Negro, cuja reforma de R$ 370 mil foi feita para recebê-lo. Esta é a segunda vez que o presidente vem em janeiro a Petrópolis, repetindo o costume de alguns presidentes, como Getúlio Cargas, de passar o verão na cidade serrana.

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