Empresários alegam que foram extorquidos por principal delator
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segunda-feira, 07 de maio de 2018
Guilherme Marconi <br> Reportagem Local 

O juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, ouviu cinco das 19 testemunhas de acusação neste segunda-feira (7) dentro Operação Publicano 5 que investigou esquema de cobrança de propina incrustado na Receita Estadual do Paraná. As testemunhas convocadas pelo MP (Ministério Público) confirmaram ao juiz que o ex-auditor fiscal Luiz Antonio de Souza (principal delator do esquema corrupto) teria exigido pagamentos de dívidas e de propina mesmo de dentro da prisão. Outras pessoas, supostamente ligadas ao réu, também teriam praticado extorsão.
De acordo com o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado), Leandro Antunes, as testemunhas confirmaram que foram extorquidas. Algumas exigências foram feitas até de telefonas feitos de dentro da PEL 1 (Penitenciária Estadual de Londrina). Ouvido como testemunha de acusação, o empresário Carlos Eduador dos Santos, do Grupo SG, com sede em Sabáudia (Região Metropolitana de Londrina), confirmou que teria pago R$ 1,3 milhão em dívidas com Souza. Entretanto, quando soube da prisão do então auditor, sustou os cheques. Parte do dinheiro seria de propina e parte de dívidas de empréstimos feitos ao delator. "Os empréstimos também eram oriundos de propina anterior, ou seja também em dinheiro sujo", ressaltou Antunes,.
Os empresários alegam que as ameaças foram feitas por ligações de telefone e mensagens pelo whastapp. "Se não pagar por bem, vai pagar pro mal" foi uma das mensagens que uma das testemunhas do Grupo S.G confirmou ao juiz.
Na Publicano 5 são 52 réus acusados de 42 fatos criminosos. Além da extorsão, o Gaeco apontou ainda os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva tributária, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, e associação e organização criminosa cometido pelos demais réus. Segundo as investigações, frigoríficos da região teriam sonegado milhões em impostos e, para isso, pagado propinas também milionárias aos auditores. Depois de ouvir testemunhas de acusação, serão ouvidas 160 testemunhas de defesa e, por último, o juiz vai interrogar os réus. O advogado de defesa de Luiz Antonio de Souza saiu sem falar com a imprensa.


