BRASÍLIA - O empresário Paulo César Farias, o PC, transferiu em 1993 de sua conta bancária na Holanda US$ 7,8 milhões para contas de traficantes da máfia na Itália. Os traficantes também fizeram depósitos para PC. A movimentação do dinheiro ligado à máfia acabou em três contas do empresário alagoano nos Estados Unidos ááá- duas em Miami no Citibank e outra em Nova York no Commercial Bank.
A informação é do diretor da PF (Polícia Federal), Vicente Chelotti, que as obteve em sua visita à Itália, na semana passada. Ele teve acesso a documentos em poder da Justiça italiana sobre a máfia. Chelotti afirmou que ainda é cedo para levantar qualquer suspeita contra o ex-presidente Fernando Collor (1990-1992), que mora em Miami e de quem PC foi tesoureiro durante a campanha eleitoral.
Segundo Chelotti, o principal interesse da PF agora é saber quem se beneficiou com a movimentação do dinheiro sujo. A PF quer também repatriar o dinheiro dessas contas se houver algum saldo.
Há duas hipóteses para justificar o envolvimento de PC com mafiosos, de acordo com o diretor da PF. Ou PC financiou o tráfico de drogas ou usou os mafiosos para fazer ‘‘lavagem de dinheiro’’, operação que consiste na legalização de dinheiro de origem ilícita.
A polícia italiana descobriu sete contas de PC na Europa á- seis na Suíça e uma na Holanda - e três nos Estados Unidos.
Chelotti afirmou que a conta de PC na Holanda foi aberta pelos seus procuradores Jorge Osvaldo de La Salvia e Luiz Felipe Ricca, dois supostos doleiros argentinos que movimentaram dinheiro do empresário obtido ilegalmente no Brasil. Eles também aparecem como procuradores de outras contas no exterior, disse o diretor da PF.
Todos os extratos bancários das contas de PC no exterior obtidos pela polícia italiana serão requisitados oficialmente por intermédio do inquérito que será instaurado na próxima semana. O inquérito deverá tramitar sob segredo de Justiça, a pedido da PF.

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