Empresário teria mandado fax a sócio
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quinta-feira, 19 de abril de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O empresário Henrique César Galli, disse ontem que recebeu um fax de seu sócio na Principal Vigilância, José Luiz Sander desaparecido há mais de uma semana e suspeito de ter levado R$ 5 milhões. Segundo Galli, em princípio, o documento teria sido enviado de um hotel na Alemanha. Por causa do sumiço de Sander, os vigilantes da Principal estão com dificuldades para receber o salário de março.
Na cópia do fax enviada à Folha por Galli, não consta o número ou o local de onde Sander teria encaminhado o documento à Principal. No documento, o autor afirma que estaria enfrentando sérios problemas financeiros na empresa há algum tempo e tudo culminou com incrível aumento de muitas pressões na primeira quinzena de abril, especialmente nos dias cinco, seis, sete e oito.
Sander, que também é dono da Tâmara, fez menção a ameaças que teria sofrido. Foram pressões de sindicatos, pressões financeiras, psicológicas e até fortes ameaças à minha integridade física. Ele também teria alegado que seu desaparecimento não tem ligações com o fato de ter sido denunciado pelo Ministério Público (MP) por envolvimento no esquema de corrupção na Prefeitura de Londrina.
Galli foi irônico ao comentar o contéudo do fax atribuído a Sander. Ele disse que pretende vender as cotas da Principal pertencentes a Sander (ele detém mais de 80%), porque o empresário desaparecido deixou uma procuração para o advogado da empresa cuidar de seus negócios.
O procurador seria o advogado Osmar Margarido, que não foi encontrado pela reportagem. Começei a receber ofertas de investidores, estou fazendo amanhã (hoje) uma reunião com um novo pretendente muito forte, alegou Galli.
O Sindicato dos Vigilantes anunciou que se os salários não forem liberados hoje, as agências da Caixa Econômica Federal em todo o Paraná, protegidas pela Principal, ficarão sem vigilância. Apesar do desaparecimento de Sander e das denúncias de envolvimento dos proprietários com esquema de corrupção, a Principal foi contratada por R$ 46,4 mil para fazer a segurança da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab). O presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca e Silva, afirmou que quando o contrato foi assinado (20 de março), ainda não havia o boato sobre o sumiço. Segundo ele, a empresa participou da fase de habilitação, trouxe os documentos e ofereceu o preço mais baixo entre quatro concorrentes.


