Empresário suspeito de escuta é intimado no ES
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segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
Agência Folha 
O coronel da reserva da Aeronáutica Eudo Santos Costa está sendo intimado a prestar depoimento na Polícia Civil do Espírito Santo, no dia 15. Ele é proprietário da Air Phoenix de Segurança, que teve três funcionários presos no último dia 25, sob a acusação de realizarem escuta clandestina de telefones da Viação Itapemirim.
Márcio Freitas dos Santos, 25, Lucilene de Oliveira Ferreira, 28, e Cláudio Pulchex dos Santos Rodrigues, 29, foram presos em flagrante em Cachoeiro do Itapemirim, a 140 km ao sul de Vitória, com equipamentos de escuta telefônica.
A empresa, com sede no Rio e filiais em São Paulo e no Espírito Santo, já estava sendo investigada pela superintendência carioca da Polícia Federal. Na segunda-feira da semana passada, policiais prenderam um filho do coronel e um motorista da Air Phoenix. Os dois trafegavam em um carro carregado com equipamentos usados supostamente em outros casos de grampo e com 2.000 fitas com gravações clandestinas de ligações telefônicas. Eudo Santos Costa se apresentou à PF do Rio e disse que sua empresa faz rastreamentos para evitar cola em provas de vestibular. Com seu comparecimento, foram liberados seu filho e o motorista, e a polícia instaurou um inquérito para apurar o conteúdo das fitas.
BNDES Para a PF do Rio, ainda não há indícios que apontem alguma ligação da empresa do coronel com o caso de escuta clandestina no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo o delegado José Fontoura da Silva, que convocou o coronel para depor, o caso será apurado com rigor.
Não interessa quem contrate ou quais sejam as motivações, a escuta por si só é crime. E os três funcionários da Air Phoenix indicaram o coronel Eudo, que teria combinado pessoalmente com eles o serviço, disse o delegado. Além dos funcionários da Air Phoenix, foi preso Levi Ávila e Silva, 42, supervisor de manutenção de telecomunicação da Itapemirim, também acusado de participar do esquema de escuta. Os presos alegam que o serviço foi contratado pelo diretor do setor de comunicações da própria Itapemirim, Josias Porfídio da Silva, que nega envolvimento.
Uma operação de grampo como esta geralmente pode ter motivação externa, de natureza comercial, ou interna mesmo. Nesse caso, desconfiamos que pode ter sido por questões políticas da própria empresa, afirmou o delegado. A direção da Itapemirim informou que está acompanhando o caso para tomar as medidas cabíveis a partir das investigações policiais.


